• Aderbal Machado

O alto preço pago pela obrigação de dar suporte e custear atendimentos de outros municípios no HMRC

Balneário Camboriú, através dos atendimentos e internações no Hospital Municipal Ruth Cardoso, praticamente banca a saúde de boa parte de municípios da Amfri, especialmente Camboriú, Itapema, Bombinhas e Porto Belo, cujos repasses de pactuação não cobrem todos os atendimentos e internações de pacientes com origem nessas cidades.


Em matéria anterior, mostramos a realidade do déficit gigantesco bancado por Balneário Camboriú nos atendimentos e internações do Ruth Cardoso em cinco anos (mais de R$ 220 milhões), de 2016 até aqui, considerando-se, conforme dados oficiais, os cerca de 65% de atendimentos de pacientes de outras cidades.


Agora mostramos um comparativo mais específico, dimensionamento bem essa disparidade:


2019 (Ano inteiro)

Despesas totais (por mês)

R$ 6.160.000,15

Repasses recebidos

R$ 1.269.540,15

Bancado por Balneário Camboriú

R$ 4.890.460,00


2020 (ano inteiro)

Despesas totais (por mês)

R$ 6.951.798,96

Repasses recebidos

R$ 2.662.491,39

Bancado por Balneário Camboriú

R$ 4.289.307,57


2021 (Janeiro a Julho apenas)

Despesas totais (por mês)

R$ 8.133.039,78

Repasses recebidos

R$ 3.650.201,80

Bancado por Balneário Camboriú

R$ 4.482.832,98

Um detalhe: não estão incluídas as despesas decorrentes dos tratamentos, atendimentos e internações por Covid.


Conclue-se serem essas campanhas de políticos, berrando pelas ruas e nas mídias sociais e reclamando da falta de mais suporte do estado e dos municípios, sem uma ação concreta e forte, não passam de espirros demagógicos.


Pagamos um preço caro por leniência e inoperância da classe política. Não tanto pelos valores, mas pela natural fragilização dos atendimentos do próprio município, pressionado pela invasão de pacientes de outros municípios, sem a devida contrapartida. É o preço pago pelo erro de "porta aberta" do hospital, definido erroneamente lá no início de seu funcionamento.

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