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Tantos anos passados, décadas até, e as sinecuras cresceram, se sofisticaram e estão aí

Relembro, sem ordem cronológica, o ano de 1971, quando Nélson Pedrini assumiu a presidência da Assembleia Legislativa de SC. Nos seus primeiros atos, resolveu moralizar a frequência dos servidores ao trabalho. E acabou gerando uma guerra nuclear interna. Dezenas de nomeados em cargos comissionados e até efetivos e vinculados a gabinetes de deputados apavoraram total. Todos ali, recebendo seus vencimentos e jamais aparecendo para cumprimento do expediente. Nem no todo, nem em parte. Nem infinitesimal. Nada. Se duvidar, sequer sabiam a localização do gabinete do parlamentar apadrinhador.


Todos tinham atividades fora, inclusive de expediente integral. Um troço maluco, no entanto quem é da época pode confirmar.


Qual a atitude de Pedrini? Colocou relógio ponto de obrigação geral - efetivos e comissionados. Ocorreram manobras loucas de burla do ponto, chegando a jogarem areia e água nos relógios, inviabilizando o seu uso. Uma loucura. Enfim, Pedrini desistiu e legou aos parlamentares a exigência de ponto. Claro, ninguém cumpriu à risca e ficou tudo por isso mesmo.


Noutro episódio, fui convidado para ser assessor de imprensa de uma secretaria de Estado. Convite de um dileto amigo, o Secretário. Omito o nome e a repartição por precaução. Lá chegando, constatei na sala de assessoria oito (ou seis, não lembro bem) meses e máquinas de escrever. Porém, sem ninguém ocupando os espaços. Indaguei do secretário: "Cadê o pessoal dali?". A sua resposta foi singela e desconcertante: "É só você. Os eventuais ocupantes estão à disposição de outros órgãos, mas pagos por esta repartição. E nada posso fazer: são indicados de pessoas influentes no governo ou parlamentares".


Havia até uma piada - sei lá de onde surgiu: um engenheiro foi indicado para ocupar um cargo na área técnica de uma secretaria e, em lá chegando, viu vários projetos parados. Imediatamente, tratou de tocá-los adiante, envolvendo outros setores da área. Num belo momento, colegas o abordaram: "Tens de parar com essa fúria. Ou sobra pra todos nós. Fica na tua". E ele, desconsolado, sentiu a sua inutilidade ali. Sei lá se pediu pra sair ou não. É uma fantasia, sei lá. Uma piada, quem sabe. Tomara seja mesmo.


Hoje, as sinecuras estão mais sofisticados e, por isso mesmo, mais avassaladoras. Vieram as ONGs, os conselhos de empresas estatais, as assessorias indiretas, as contratações sem licitação para prestação de serviços malucos e, no mais, inúteis do ponto de vista comunitário. Sem contar a condenável remuneração direta e indireta, todavia escandalosa, de órgãos de imprensa. Apenas para sustentaram narrativas. Geralmente mentirosas e em favor dos detentores do Poder.


Isso é Brasil.

 
 
 

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© 2020 | Aderbal Machado

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