Relembrando um átimo com o mano Aimberê, numa homenagem e muita saudade
- Aderbal Machado

- 21 de jul. de 2023
- 2 min de leitura
Patuska foi um apelido dado ao Aimberê, meu mano não muito mais velho (5 anos além) aniversariante de hoje (28), pelo meu padrinho Dr. Severiano Severino de Souza, do Araranguá.
Mas o fato não é este. Comecei assim por causa do carinho pelo meu padrinho de batismo.
O fato é que Aimberê, nos idos e vividos anos 40, 50, 60, quando nos brindávamos e nos hostilizávamos em casa, ora por um motivo, ora por outro - nem precisava motivo -, representou um pouco do que fui e muito do que eu quis ser.
Tinha gana por estudo, eu não. Era elegante, eu não. Era voluntarioso e adorava falar, eu não. Era namorador ao extremo, eu não. Tinha os pendores intelectuais já aguçados, eu não. Ao tempo de estudante ainda, enveredou pelos lados do comunismo e socialismo, chegando a ser líder dos estudantes secundaristas no Araranguá, eu não. Aliás, sempre segui o caminho inverso. Ele, esquerdista. Eu, direitista. Ele, agnóstico. Eu, cristão. Ele, organizado e metódico com tudo. Eu não.
Não combinamos em muitas coisas, inclusive na glorificação de nosso serviço militar: eu servi ao Exército, ele serviu à Marinha. E em épocas de ojeriza entre os membros subalternos dessas forças.
E, vejam só: em 1964, suprassumo de nossos antagonismos pessoais sub-reptícios: ele preso político e eu Cabo do Exército. Só não fui seu carcereiro por uma questão de disciplina lógica do Capitão Caminha (Carlos Augusto Caminha), que, ao perceber o parentesco, em Tubarão, onde o encontrei encarcerado quando nosso pelotão lá chegou, me mandou para Imbituba.
Nossas controvérsias giraram, enfim, por extremos. Porém jamais nos afastaram ou nos provocaram machucaduras pessoais, familiares ou culturais. A prioridade sempre foi o sentimento fraterno puro, verdadeiro, forte e profundo.
Eu o defenderia, se preciso, às derradeiras consequências. E tenho certeza que ele também.
Hoje eu gostaria de ter sido como o Aimberê. Agora é um pouco tarde.
Mas ainda é muito bom saber que isso tudo só nos elevou nos sentimentos recíprocos.
Ainda radicalizaremos muito ideologicamente. Mas sempre com muito amor e respeito. Arriba, muchacho !!
(Escrito meu na página do mano Aimberê no Facebook, em 28 de setembro de 2018, dia do seu aniversário. Momento de difusão de nosso relacionamento fraterno ao longo de todos os anos vividos; cada um no seu quadrado, como diriam hoje os mais jovens. Digo isso com um sentimento dolorido de saudade desse gajo, que me inspirou e a quem, modestamente, inspirei em momentos fortuitos. O Aimberê se foi no 22 de dezembro de 2022, após longa enfermidade, deixando seu coração conosco e levando o nosso com ele)

(NA FOTO, AIMBERÊ EM PARIS, NUMA DAS TANTAS VIAGENS QUE FEZ POR PAÍSES DO MUNDO)











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