População de SC aumenta 3,3 vezes mais que a média nacional e economia cresce 4 vezes mais rápido
- Aderbal Machado

- 21 de nov. de 2023
- 3 min de leitura
Em períodos recentes, a construção civil é a maior fonte de novas vagas na indústria, segundo o Observatório FIESC. Nos anos de 2021 e 2022 o setor teve saldo positivo de 23 mil vagas, praticamente o triplo do setor que ficou em segundo colocado, o de alimentos e bebidas, beneficiando-se do ciclo de juros baixos que perdurou até meados do ano passado.
Não se trata de grandes obras de infraestrutura, tão necessárias ao Estado, mas sim da construção de edifícios, principalmente. Quem faz uma viagem de carro pelo litoral Norte de Santa Catarina pode enxergar com clareza o que está por trás dos números.
O município de Balneário Camboriú notabilizou-se por ostentar os prédios mais altos do Brasil, receber celebridades como moradores e registrar o preço do metro quadrado mais alto do País. A população cresceu de 108 mil para 139 mil moradores, evolução de 28,7% desde a última contagem. Um salto e tanto, considerando os altos preços locais e a baixa disponibilidade de terrenos. Números ainda maiores são observados no entorno.

VALORIZAÇÃO | A cidade de Camboriú, localizada ao lado de Balneário, teve um acréscimo de mais de 40 mil moradores no período entre os censos, chegando a 103 mil, o que representou um salto populacional de 65% – e nesse caso é seguro afirmar que ali se estabeleceram muitos trabalhadores da construção que migraram para o Estado em busca de oportunidades.
Na também vizinha Itapema, a população saltou de 45,8 mil para 75,9 mil moradores (65,7%), e em Porto Belo o crescimento foi de 72,2%, totalizando 27,7 mil moradores.
Em todos esses municípios a construção andou a todo vapor nos últimos anos. Na pequena Porto Belo, por exemplo, entre 2020 e o primeiro semestre de 2023 foram concedidos quase 200 alvarás para construção de prédios, de acordo com a prefeitura. Em metros quadrados autorizados representa ainda mais do que Balneário Camboriú no mesmo período.
O mercado imobiliário dessas cidades cresce não apenas para atender à população que aflui para o litoral catarinense para viver, mas também para sustentar a crescente demanda turística. “Camboriú se tornou uma opção inteligente, seja para quem quer morar ou para quem quer investir, já que a projeção de valorização futura é muito maior do que em áreas que já estão com os preços nas alturas”, diz Filipe Pitz, CEO da PZ Empreendimentos, uma das incorporadoras do projeto Parque Camboriú, em construção na cidade vizinha a Balneário, com 447 apartamentos e entrega prevista para 2027. Ele afirma que 44% dos clientes compraram imóveis com a intenção de alugar. O Censo revelou que 10% dos domicílios de Santa Catarina são de uso ocasional, ou “turístico”, o que representa a maior taxa do País.
Outras cidades litorâneas cresceram nos últimos anos impulsionadas pelas operações portuárias. Itapoá é o município que mais cresceu em Santa Catarina. Desde 2010 a população mais do que dobrou (108,3%), chegando a 30,7 mil habitantes. O principal motor é o Porto Itapoá, inaugurado em 2011, que vem sendo continuamente ampliado desde então.

Em Navegantes, o terminal privado Portonave começou a operar em 2007 e a população cresceu 42,7% desde o Censo de 2010 – 86,4 mil moradores –, enquanto a vizinha Itajaí atingiu 264 mil habitantes, com expansão de 44%. As também portuárias Imbituba e São Francisco do Sul cresceram 30,9% e 23,9%, respectivamente.
No litoral Norte também se destacam cidades como Balneário Piçarras, Tijucas, Bombinhas, Balneário Barra do Sul e Araquari, que tiveram taxas de crescimento acima de 50%, enquanto Barra Velha dobrou de tamanho.












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