Nossa água de cada dia, números e riscos eventuais
- Aderbal Machado

- 24 de mar. de 2024
- 2 min de leitura
Em tempos de paz - fora das temporadas - e até na guerra dos finais de ano, há segurança no sistema de abastecimento de água de Balneário Camboriú. Noutras temporadas - mais de uma - vivemos o terror de interrupção do abastecimento, a ponto de, numa delas, o então prefeito Piriquito dormir na ETA (Estação de Tratamento de Esgoto), para impedir manobras indevidas no fecha e abre das válvulas do sistema, quando se virava pra cá e pra lá pra garantir simultaneamente o abastecimento de Balneário e de Camboriú.
Hoje há uma calmaria. Exceto em casos - felizmente não ocorridos até aqui - de eventos inesperados, como rompimento de adutora ou panes no tratamento.
Vamos ver - e só depois comentarei - a situação atual, em números, conforme dados da própria Emasa:
A cidade tem 73 mi unidades consumidoras e 30 mil ligações. Por unidades consumidoras entenda-se casas, condomínios, pontos comerciais, indústrias e prédios públicos.
A reservação é de 16,8 milhões de litros.
Duas adutoras garantem a chegada da água bruta à ETA: uma de 600 e outra de 800 mm.
A vazão da ETA de água potável é de 650 a 700 llitros por segundo na baixa temporada e de até 930 litros na alta.
Segundo a Emasa, o consumo bate em 50 milhões de litros/dia na baixa e de 80 milhões de litros/dia na alta temporada. Considere-se que cerca de 20 a 25% desta produção de água potável vai pra Camboriú.
De acordo com a Organização das Nações Unidas, cada pessoa necessita de 3,3 mil litros de água por mês (cerca de 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e higiene). No entanto, no Brasil, o consumo por pessoa pode chegar a mais de 200 litros/dia.
Calcule-se isso por 140 mil habitantes, número quintuplicado na temporada.
Se ocorrer uma pane no sistema, ainda que breve (um dia, por exemplo), em seis horas os reservatórios se esgotarão. No reabastecimento, há o tempo de repressurização da rede e o tempo de recuperar o volume dos reservatórios. A salvação será a capacidade de reservação de cada unidade consumidora - essencial e, imagina-se, estar adequada aqui e em Camboriú, onde a empresa de lá, a Águas de Camboriú, num certo momento, chegou a financiar em longuíssimos prazos, a instalação de reservatórios domiciliares. Boa medida.
Detalhe final é sobre esgoto e capacidade de tratamento: 50 milhões de litros por dia. Não está plena, mas é teoricamente isso. Já estivemos pior, mas com a mudança da direção da Emasa recentemente, a tendência é melhorar. Desconfiaram (a teimosia fez demorar a mudança) do erro e corrigiram. A direção da Emasa é, hoje, toda de ex-militares. Melhor, acho eu. São mais disciplinados e habituados ao ferro-e-fogo e não perdem tempo com frescuras.











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