Na política, as influências e prestígio de alguns políticos e a dependência de comunicação pública e parcerias certas
- Aderbal Machado

- 24 de set. de 2025
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Atualizado: 25 de set. de 2025
Vejo muitos políticos em todos os níveis, caprichando nas suas intervenções via mídias sociais e outros nem se importando com isso. E comparo com nomes de políticos que, no presente e no passado, se elegiam e se reelegiam sem comunicação pública alguma. Funcionava o tête-à-tête, a conversa ao pé do ouvido, o cafezinho na casa do eleitor, os favores. Nos bons tempos do Funga-Funga, conhecido cabo eleitoral de Aderbal Ramos da Silva acho que no Ribeirão da Ilha; ninguém tirava farinha na sua área de influência. Ele arrematava todos os votos, praticamente, pra quem ele quisesse. O vereador Michel Cury, por muito tempo em mandato na Câmara da Capital, foi um de seus afilhados políticos, por inspiração de Aderbal Ramos. E Funga-Funga trabalhou pra ele, ao menos nos primeiros mandatos, com votações expressivas no Ribeirão. Em família, relembro Sebastião Mateus, motorista do IAPETC (Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Empregados em Transportes e Cargas), extinto com a reforma da previdência, como tantos outros institutos classistas. Ele reinava absoluto no distrito de Rio Maina, em Criciúma. Mandava nos votos lá. Nunca se elegeu pra nada - por não ter sido candidato -, mas mandava. O mano Aryovaldo, em 1958, foi convencido a se lançar como candidato a vereador, mas não tinha um núcleo eleitoral para arrancar na eleição com alguma chance de vencer. Presidente do PTB local, Aryovaldo foi procurado por alguém que lhe indicou Sebastião Mateus como cabo eleitoral. Conversa concretizada, Mateus adotou a candidatura de Aryovaldo e, no entanto, pediu-lhe para não aparecer no Rio Maina. Aryovaldo estranhou. Achou esquisito, porém aceitou a exigência. Resultado; Aryovaldo teve mais de 400 votos e se elegeu. Quase 300 no Rio Maina. Eleito em 1958, reeleito em 1962, já como parceiro político de Neri Jesuino da Rosa, prefeito do PTB eleito em 1960, conduziu Sebastião Mateus à Intendência do Rio Maina.
Em Araranguá, nos bons tempos e nos seus redutos udenistas, Afonso Ghizzo elegia quem desejasse. Nos redutos pessedistas, Lecian Slovinski elegia quem desejasse. Embora Afonso fosse uma liderança muito superior em termos de influência. Lecian, inclusive, deputado estadual como Afonso, chegou à presidência da Assembleia.
Há muitos outros exemplos. Em Balneário Camboriú, nos seus bons tempos, seja como líder do PSDB ou PDT, Leonel Pavan elegia quem queria. Sempre governou com maioria na Câmara, fácil. Juliana é prova disso e está no caminho. O fruto da árvore.
Pavan sempre foi muito ativo na imprensa e nas suas andanças. Valorizava a comunicação e tirava proveito até dos fatos negativos que lhe eram atribuídos. Como dizia o mano Aryovaldo, um político hábil. Fazia do limão uma limonada.
Comunicação, seja direta ou indireta, é a alma da política. Quem sabe tira proveito. Às vezes há enganos, às vezes cansa, seja porque o dito acaba não se concretizando (promessas deixadas pra trás e não concretizadas - enfim, palavra não cumprida), seja pela perda de apoios por diversos interesses e situações. Principalmente pela atividade falha. A desconfiança do eleitor é fatal.
(IMAGEM: CÂMARA MUNICIPAL DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ EM CONSTRUÇÃO)










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