Lulinha "paz & amor" já era
- Aderbal Machado

- há 23 horas
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O discurso de Lula na festa de 46 anos do PT, neste sábado, 7 de fevereiro, no Trapiche Barnabé, na Bahia, foi inflamado, beligerante e assumidamente confrontacional.
O presidente abandonou qualquer verniz institucional para falar em “guerra política”, defender o enfrentamento direto nas redes sociais e tratar a disputa eleitoral como um conflito permanente entre “verdade” e “mentira”.
Para Lula, não há espaço para moderação, diálogo ou recuo - é ataque, exposição e intimidação política aberta.
O problema é que a realidade do evento desmentiu o discurso.
Enquanto pregava coragem, mobilização e enfrentamento, o próprio aniversário do partido revelou um cenário constrangedor: esvaziamento visível, público abaixo do esperado e frustração generalizada, inclusive entre ambulantes que haviam se preparado para uma grande concentração de militantes. Em vídeos gravados no local, a pergunta se repetia de forma quase constrangedora: “Cadê o povo?”
No palco, um Lula que fala em “escrachar mentiras”, “não ser mais quietinho” e transformar a eleição em guerra. Fora dele, grades vazias, circulação dispersa e a constatação óbvia de que a militância já não responde como antes. A narrativa de força e hegemonia colidiu frontalmente com a imagem de um partido que já não consegue encher nem o próprio evento simbólico.
Mais revelador ainda é o tom adotado contra as redes sociais. Lula não apenas as critica - ele as trata como um inimigo a ser combatido, um espaço que “tem mais mal do que bem” e que precisa ser enfrentado com agressividade política. Não se trata de uma defesa da verdade; é uma tentativa de deslegitimar e censurar o único espaço onde eles não detêm o controle do discurso, mesmo com a injeção de milhões de reais do dinheiro do contribuinte em tráfego pago para propaganda do regime.
O aniversário do PT acabou funcionando como um retrato involuntário do momento político do presidente: discurso radicalizado, apelo à confrontação e sinais claros de desgaste e desmobilização popular.
Cadê o povo de Lula?
(Karina Michelin)











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