Há 64 anos, se foi papai, mas a história permanece aguçando lembranças e saudades
- Aderbal Machado

- 24 de out. de 2023
- 2 min de leitura

Neste 24 de outubro, completam-se 64 anos do falecimento de papai. O eterno doutor Manoel Telésforo Machado, como todos o chamavam, respeitosamente. Menos, curiosamente, duas pessoas - segundo vi várias vezes: o Camilão, um amigo de infância dele e notório em Araranguá um esmoleiro também do Araranguá, com quem papai batia longos papos nas manhãs de sábado, na frente da casa, sentados em cadeiras especialmente colocadas. Porque em todos os sábados, papai trocava dinheiro e juntava nota por nota para ofertar aos esmoleiros. E eles sabiam da rotina e se enfileiravam na frente de casa. Só aquele esmoleiro, especialmente, permanecia pra conversar. E, sim, tratava papai com intimidade: era "Telésforo" e não "doutor Telésforo" ou "doutor Machado". Riam alto de piadas que jamais entendi. Chamava-se Campolino.

Assim era papai. Não com todos. Com alguns especiais. De resto mantinha o estilo formal. Ele advogou no Araranguá, em Conceição do Arroio (RS), Criciúma, Turvo e Urussanga. Espichou por lá as teias de sua atividade. Em Criciúma, representou como advogado a CBCA, carbonífera local (Companhia Brasileira Carbonífera de Araranguá).
Em Araranguá, advogou para a Força e Luz, do seu amigo Padre Antônio Luiz Dias, seu criador, e João Leitão, um português da gema.

Papai tinha uma história danada de profunda com o Araranguá: foi um de seus primeiros advogados e um de seus primeiros professores. Sua inscrição na OAB-SC era número 8. Seus vínculos pessoais com personagens da história da cidade foram mantidos sempre. Ele é parte da história.
Há muita coisa a relembrar e a dizer sobre papai. E sempre repito ladainhas saudosas em todos os 24 de outubros ou 5 de janeiros, data do seu nascimento, em 1878. E o faço como coisa nova, sempre. Pois a sua imagem se renova a cada dia e a cada momento, ungidas em mim pelos exemplos que me deixou.











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