top of page

De rádio, televisão e assessorias ao longo do tempo, com nenhuma e com toda tecnologia

Perseguindo vontades e alimentando sonhos de um dia chegar lá, vivi os tempos de busca por um lugar. E assim, desde 1962, na velha e incendiada Rádio Difusora de Criciúma, enfurnada numa casinha pequenina em frente ao antigo IAPETC (Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Empregados em Transportes e Cargas) - depois INPS e depois INSS, quando cada categoria tinha sua própria previdência pública, com diferenças às vezes abissais entre recursos de uns e de outros (a unificação encerrou isto), tropecei em desilusões, aperturas, alegrias, aprendizados, enfrentamentos.

Cheguei ao rádio pelas mãos do mano Aryovaldo. Depois à imprensa escrita. Na televisão cheguei por minha conta e por meus modestos méritos, em 1979, na TV Eldorado. E Aryovaldo chegou depois. Inverteu-se a história.

E nunca, nunca mesmo, imaginei ser o que sou e chegar até aqui sem nada, uma mão na frente e outra atrás, mas incólume nas minhas intensidades praticadas em cada linha, em cada leitura, em cada interpretação, em cada comentário, em cada coordenação, em cada reportagem, em cada debate.

Cheguei onde queria e sonhei, mas ultrapassei algumas barreiras estranhas. Inimaginável, por exemplo, ir para Florianópolis - fui e lá fiquei por 10 anos altamente frutíferos.

Quando na Rádio Araranguá, garoto imberbe de meus 13 ou 14 anos, Nélson Almeida e Asti Pereira me deram um lugar na emissora, sabia ser ali o alvo. Bem mais tarde retornei à emissora, já como elemento chave de um processo jornalístico.

Por esse processo segui para Floripa, depois para Jaraguá do Sul (confesso uma decepção aqui) para assessorar o prefeito Durval Vasel. A decepção se deu quando senti estar fora de lugar. Tive de absorver o arrependimento e seguir adiante quando a oportunidade apareceu.

Depois de levas e tropeços, acabei em Balneário Camboriú. E aqui criei raízes, aprendi a conviver numa cidade diferenciada em todos os aspectos - da beleza imensa ao singular estilo de vida. E de onde, confesso, será complicado sair, pois os hábitos estão enfiados até o talo no meu espírito. Cidade cosmopolita ao extremo, território pequeno, rica, tudo muito caro, mas com qualidade absoluta e oportunidades disponíveis a céu aberto - bastando ter vontade de por elas lutar.

E então, cumprindo o título de chamada, vamos lá.

O rádio, desde lá atrás, décadas de 50 e 60, mudou barbaramente. A comunicação toda, em verdade. Do jornalismo artesanal, de corpo presente, de movimentação física, da exigência do esforço pessoal e direto para chegar às fontes e informar e analisar com profundidade, ao veloz sistema mundial de hoje, há uma tempestade a ser compreendida.

Corria-se atrás de entrevistas. Os plantões policiais para ter as novidades, tinha de ser na madrugada na sala da Delegacia folheando o livro de ocorrências. Para registrar os fatos, tinha-se de correr com um gravador e/ou uma câmera fotográfica até o local. Hoje tem-se tudo isso na palma da mão em qualquer lugar e de qualquer lugar. E estranhamente há quem ainda reclame da falta de fotos, da carência de mais dados nos BO's improvisados no whatsapp ou da qualidade do material. Acho isso uma vadiagem explícita - não sabem da missa a metade, pois foram criados num tempo de fartura, até excesso, de informação e parece não saberem lidar com isso. E não sabem, no mais das vezes.

Por exemplo, falando de assessorias também: na época de Colombo Salles, quando lá estive no seu gabinete de imprensa (1971), a comunicação para rádios era de um cubículo dentro da redação com um telefone, lendo-se releases em boletins para rádios do interior, com telefonia discada uma a uma - TODOS OS DIAS. Depois veio o telex, mas ainda permanecia a fala necessária para rádios do interior.

Ivo Silveira, tanto quando Colombo Salles ou Celso Ramos, para citar dos três governadores mais admiráveis daqueles tempos, usavam magnificamente a imprensa nas suas comunicações. Primeiro, portas abertas do Palácio a quem chegasse ali. Se viesse do interior, mais distante ou não, a assessoria dava guarida permanente e permitia e conduzia ao gabinete do homem para entrevistas eventuais. Era uma comunidade unida e solidária.

Conto tudo isso porque me angustia a comparação. Sinto ter perdido muito do desempenho pessoal ante a acomodação acelerada pela "evolução" tecnológica.

Agora, por exemplo, ao invés de estar numa máquina de datilografia ou diante de um gravador de fita, estou diante de um computador, dedilhando isto daqui e, se quiser, abrindo a câmera e falando ao vivo e direto com o mundo todo.

Posso estar errado, sim. Mas isto me incomoda um pouco. Sou um dinossauro convicto.

Até outra.


1980 - Entrevistando o governador Jorge Bornhausen, ao lado o prefeito Altair Guidi

Entrevistando Miriam Rios, na época casada com Roberto Carlos - 1980

Içara, 1967, na visita do governador Ivo Silveira à cidade


 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
LogomarcaMin2cm.jpg

Siga nas Redes Sociais

  • Branca Ícone Instagram
  • Branco Facebook Ícone
  • Branco Twitter Ícone
  • Branca ícone do YouTube

© 2020 | Aderbal Machado

bottom of page