Até 2027 abastecimento de água em SC irá de crítico a insustentável, se nada for feito
- Aderbal Machado

- 7 de nov. de 2023
- 4 min de leitura
A Federação das Indústrias (FIESC) lançou nesta terça-feira, dia 7, a Agenda da Água 2023.
Um dos alertas trazidos na publicação é para as 10 regiões hidrográficas catarinenses, que necessitam de intensa atividade de gerenciamento e grandes investimentos.
Dados do Plano Estadual de Recursos Hídricos mostram que, até 2027, caso nenhuma medida venha a ser tomada, 80% delas estarão insustentáveis em relação à qualidade da água e 70% podem alcançar níveis que vão de crítico a insustentável no que tange à quantidade do insumo.
O tema água estará presente nas discussões da Conferência do Clima (COP 28), que será realizada em Dubai, de 30 de novembro a 12 de dezembro. A agenda da FIESC apresenta proposições para a construção das diretrizes de uma política de estado, visando a gestão sustentável dos recursos hídricos em Santa Catarina, explica o presidente da entidade, Mario Cezar de Aguiar, observando que água é essencial para a vida e para qualquer atividade humana. “É matéria-prima para a produção de alimentos, bens de consumo e medicamentos, além de ser estratégica para setores como a indústria, agricultura e turismo, atividades que contribuem para geração de emprego, renda, tributos e circulação da economia”, afirma.
Ele salienta que Santa Catarina é pródiga em recursos hídricos, com rios e imponentes bacias, baías, estuários, água subterrânea (o aquífero Guarani, por exemplo) e fontes de águas termais. “Apesar de índices sociais de destaque nacional, o estado apresenta distorções no saneamento (qualidade), na distribuição da água, que é insuficiente em algumas regiões (suprimento), além de ser acometida por enchentes e secas (excesso ou falta do insumo). Por isso, é importante garantir uma gestão competente e a provisão de recursos financeiros, com destaque para o saneamento, visando a universalização do acesso, previsto em lei”, completa. Saneamento: Santa Catarina ocupa a 19ª posição no índice de atendimento urbano de esgoto — com uma cobertura de apenas 32,2% — bem abaixo da média nacional, que é de 64% (dados do SNIS, ano-base 2021). Hoje, quase 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água tratada e quase 100 milhões não têm acesso à coleta de esgoto. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, a cada R$ 1 investido em saneamento, gera uma economia de R$ 4 em saúde. Conforme estudo do Instituto Trata Brasil, para atingir a universalização do saneamento, Santa Catarina precisaria investir cerca de R$ 6,4 bilhões nos próximos 33 anos. Os recursos são capazes de incorporar quase 2,5 milhões de pessoas no sistema de distribuição de água tratada e cerca de 6,3 milhões de pessoas no sistema de coleta de esgoto. O acesso ao saneamento básico no estado pode gerar benefícios econômicos significativos, como aumento da produtividade do trabalho e valorização imobiliária. Com isso, o estado pode ganhar R$ 23,9 bilhões até 2055, se universalizar os serviços de água, coleta e tratamento de esgoto. Desastres naturais: De acordo com o Atlas Digital de Desastres no Brasil (2023), de 1991 a 2022, Santa Catarina registrou mais de 32,5 bilhões de prejuízos com desastres naturais — o sexto maior do país. Nesse montante, estão calculados desastres decorrentes de alagamentos, chuvas intensas, enxurradas, inundações, movimento de massa, rompimento/colapso de barragens, estiagem e seca. Nesse mesmo período, os prejuízos das indústrias catarinenses, decorrentes de desastres naturais, totalizaram R$ 2,67 bilhões — o estado lidera o ranking brasileiro. 🔵 Proposições da FIESC Suprimento ➢ Privilegiar o uso de água superficial ➢ Uso sustentável das águas subterrâneas (Aquífero Guarani) considerando manter os aspectos quanti-qualitativo ➢ Redução das perdas de água no sistema de abastecimento de água ➢ Estimular o consumo consciente nas cidades ➢ Construção de Açudes, Cisternas* ➢ Investir em tecnologias para uso eficiente da água, considerando o aproveitamento de água das chuvas, reuso de efluentes, redução no consumo etc. ➢ Incentivar o Reúso de Efluentes de Indústria para Indústria ➢ Incentivos fiscais para o reúso de efluentes Qualidade (Saneamento) ➢ Incentivo às Concessões Privadas e Parcerias Público-Privadas ➢ Estímulo à linhas de crédito ➢ Fortalecer a Vigilância Sanitária para potencializar a fiscalização de ligações irregulares ➢ Santa Catarina necessita investir R$ 6,4 bilhões nos próximos 33 anos, para atingir a universalização do saneamento.
Falta água (Seca) ➢ Manter a cobertura vegetal ➢ Gestão eficiente e participativa dos recursos hídricos* ➢ Valorização dos Comitês de Bacia* ➢ Proteção de nascentes, fontes e mata ciliar* ➢ Incentivo ao pagamento por serviços ambientais* ➢ Conscientização e Educação Ambiental* *Em alinhamento com o relatório técnico-científico: Estiagem no Oeste Catarinense – Diagnóstico e Resiliência (2017) propõem-se as seguintes medidas para mitigar os efeitos da estiagem em Santa Catarina. Excesso (Enchentes) ➢ Avaliação da capacidade atual das barragens existentes e, caso necessário redimensionamento ou construção de novas; ➢ Gestão mais eficiente da operação das atuais barragens, considerando o equacionamento de possível inundação de comunidades ribeirinhas e indígenas; ➢ Execução das obras sugeridas pelo programa da agência japonesa Jica, elaborado após os desastres de 2008 e 2011 ➢ Dragagem do Rio Itajaí-Açu ➢ Investir em infraestrutura de drenagem ➢ Aumentar o orçamento da Defesa Civil ➢ Desenvolver um Plano Estadual de Adaptação para as Mudanças Climáticas ➢ Avaliar os sistemas de macrodrenagem urbanas ➢ Plano Estadual de Adaptação para as Mudanças do Clima específico para Rodovias, considerando os pontos mais críticos, de maior demanda etc. INDÚSTRIA ➢ Participação das indústrias nos Comitês de Bacia ➢ Implementação das Estratégias para a Adaptação (Planos de contingência) ➢ Gestão Estratégica e Sustentável o Uso Eficiente: Redução do Consumo de Água o Reutilização de Água o Reciclagem de Nutrientes o Gestão Integrada de Recursos Hídricos ➢ Aplicação na Indústria do Plano de Adaptação Climática: Indústria Resiliente
FOTO: ROBERTO ZACARIAS - SECOM










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