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As infidelidades consagradas na política: saudade de PSD e UDN

Começo relembrando a velha política: UDN, PSD e PTB. Formações bem definidas. Qual era a principal característica da UDN? Defesa da democracia liberal e pelo combate aguerrido às correntes getulistas.

O Partido Social Democrático de 1945 foi fundado por interventores egressos do Regime Varguista. Esse fato por si só é capaz de demonstrar o perfil dos políticos que se juntaram ao PSD: em sua grande maioria, lideranças regionais com viés adesista.

O PTB: sua base eleitoral era o operariado urbano, com forte ligação com os sindicatos. Ideologicamente, as raízes do PTB são o castilhismo gaúcho, o positivismo, traços de social-democracia e o pensamento de Alberto Pasqualini, o maior ideólogo do PTB.

Eram características gerais. Havia uma em todos eles, única: fidelidade partidária sem imposições, sem letra escrita, sem regulação específica. Só no caráter.

Entre UDN e PSD seria impensável - e quase um crime político - um líder, eleito ou não, ou um mero eleitor declarado, "mudar de lado". Seria o fim pra ele e seus seguidores.

Disputas renhidas marcaram o tempo desses partidos e em SC ficou marcada a disputa entre as oligarcias dos Ramos (PSD) e Konder-Bornhausen (UDN). Isso se repetia em outros estados e em municípios. A tal ponto de negar-se voto e apoio. Isso ocorreu muito nas votações, por exemplo, na Câmara de Balneário Camboriú, lá no começo das legislaturas (1965) e antes do advento de Arena e MDB. A Câmara elegeu quatro pessedistas e três udenistas. Entre eles houve uma disputa tão renhida, a ponto de udenistas rejeitarem ocupar cargo na primeira Mesa Diretora - preferiram votar em branco.

Assim ocorreu em outros Câmaras nas quais convivi - como a de Araranguá e a de Criciúma, na mesma época.

Dito isso, o fato: é comum, atualmente, misturar-se oposição com situação em meio a mandatos de presidentes, governadores ou prefeitos. De tal modo que opositores renhidos, até violentos e críticos ácidos nos primeiros tempos de um mandato, acabam por se tornar aliados fiéis e até assumir cargos de primeiro escalão. E vice-versa: apoiadores dos governos viram oposição feroz num passe de mágica, como se isso fosse um mero ato de trocar de camisa após o banho de todas as manhãs. Ou de cuecas. Ambos desmentem na cara dura a pregação de campanha, o motivo de pedir o voto ao eleitor.

Pior de tudo é a pouca relevância disso na cabeça do eleitor e invarialmente esses "líderes" são sistematicamente reeleitos ou sobem a outros cargos - e com apoio literal dos mesmos eleitores. Como se nada houvesse acontecido. Os princípios vão pras cucuias.

Quanta diferença da velha UDN e do velho PSD, tempo de muita vergonha nessas atribuladas atitudes. Naquele tempo, algum deles fizesse isto ou parecido, nem se reelegeria mais inspetor de quarteirão, exemplo hoje substituído por "síndico de prédio".

Infelizmente e todavia, constata-se: o político é o menos culpado. A culpa é óbvia. Preciso falar?

 
 
 

2 comentários

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Pacheco Carlos AH
Pacheco Carlos AH
19 de fev. de 2024
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Conta-se que, nas enchentes, pessoal em cima dos telhados, recusavam-se a embarcar nas canoas dos adversários políticos, preferindo esperar pelas canoas dos amigos...

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Convidado:
20 de fev. de 2024
Respondendo a

No Araranguá se viu muito disso. E há um ex-deputado, então eleito na época das enchentes, que só o foi porque usou sua lancha para salvar pessoas com sua lancha.

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