As exceções da mobilidade, do esgoto e tudo, pela falta de sintonia entre administrações
- Aderbal Machado

- 31 de jan. de 2024
- 2 min de leitura
Os municípios todos têm, ainda, sérias exceções com a mobilidade urbana. Tanto interna quando regional. Primeiro, porque isso foge das prioridades práticas. Inventam mil teorias, jamais cumpridas e ficam, de eleição em eleição, despejando toneladas de promessas iguais, cansativamente. E, pior, o eleitor releva e vota de novo e de novo e de novo.
Os municípios têm, ainda, sérias exceções, uns mais e outros menos, com o abastecimento de água, o saneamento básico, a coleta e destino ou reciclagem do lixo e, dano dos danos humanos, a coleta e tratamento do esgoto. Assim, mananciais inteiros são comprometidos por todos os cantos do solo brasileiro, praias se tornam ambientes a serem evitados - e os mais teimosos ou descrentes acabam infectados por viroses de todos os pesos e medidas (é somente uma figura de linguagem, bom lembrar).
A ironia das ironias é Santa Catarina: cantado em prosas e versos como um dos estados mais evoluídos em muitas áreas, exemplo para os demais da federação, é o segundo pior do país em coleta e tratamento de esgoto.
Uma singularidade infeliz - e espera-se, provisória - de Balneário Camboriú: toda a cidade forrada de tubulações de esgoto, com ligações respectivas efetivadas e com tratamento medíocre. Ruim, péssimo, neste momento, pra reforçar a realidade vivida: a nova ETE - Estação de Tratamento de Esgoto - idealizada e implantada no governo de Edson Piriquito, chegou a mostrar mais de 90% de eficiência no tratamento dos resíduos. Hoje, menos de 20%. Prometem recuperar. Por enquanto, uma promessa. Pintemos de esperança. E aguardemos.
Na mobilidade, poderemos falar de várias regiões. Fiquemos na nossa: o terrível gargalo da BR-101 nos açoda a alma em todos os momentos, sufocando nas épocas de temporada e de maior circulação por outras razões. Acidentes, por exemplo. E lá se vão todas as alternativas, até porque inexistem. Na real, há: por dentro das cidades ao longo da via, pra cortar caminho e tentar fugir da tranqueira. E então temos tudo trancado a um só tempo, de norte a sul, de leste a oeste. Na rodovia e nas cidades, prum lado e pra outro.
Aqui dentro, falou-se em fiação subterrânea na Avenida Brasil. Dinheiro chegou a ser liberado para isso. Lá se vão mais de 10 anos e nada. Falou-se em corredores exclusivos para transporte coletivo. Nada. Falou-se em dinamizar a circulação regional. Nada. O mal: cada uma cidade só pensa em si. Foi o que aconteceu, com resultados absurdamente negativos, em 2005, quando encerrou o contrato com a Casan (30 anos) e a Emasa assumiu. A ideia era dividi-la com a cidade vizinha de Camboriú, consorciando seus investimentos. Camboriú não aceitou e foi, de trapalhada em trapalhada, até concessionar para uma empresa privada. E a cidade, até agora (18 anos depois) não tem nem recalque de água e nem rede e tratamento de esgoto. Há expectativas de implantação, mas por enquanto é só. A água vai de Balneário. O esgoto vai pro rio.
E se não houver consciência e ação efetiva, no caso dessa região imensamente conurbada, de debater e resolver os problemas em conjunto, jamais chegaremos a lugar nenhum.
Há controvérsias? Diga lá.










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