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Aquele carnaval que passou...

Antigamente, uma coluna de jornal tinha o nome de "Trivial Variado". O conteúdo justificava: uma mistura de temas cotidianos. Fico devendo em qual jornal e qual jornalista assinava.

Pois transfiro para nosso carnaval: um trivial variado. No sentido de corriqueiro, comum.

Nenhum sintoma de espetáculos além do normal e repetivivo: desfiles, muita bebida rolando, cantorias normais e gritarias anormais nas madrugadas, gente cercando frango pelos cantos, cuspindo nas falas (oh, exagero, né não?) e orgias em muitas esquinas. Até no Rio está-se "ensinando" a prática sexual nas ruas, sem dar na vista e sem agredir a pudicícia alheia. É verdade e isto é o pior.

O jeito não me serve, juro.

Lá no passado podia não ser o suprassumo, mas era melhor. Desde o entrudo.

As escolas eram melhores, os blocos eram melhores, as folias eram melhores - nas ruas e nos clubes. O máximo da transgressão era cheirar lança-perfume, então relevado e depois proibido. O tempo imorredouro dos "mais de mil palhaços no salão" e dos "arlequins e colombinas".

Relembro as disputas de qualidade na Laguna, entre os blocos Bola Preta e Bola Branca, ano após ano. E os carnavais nos clubes Blondin e Congresso Lagunense.

Os carnavais nas praias do sul, em Criciúma e em Araranguá - clubes inclusive. Os pequenos blocos nas ruas, os desfiles incertos de escolas - ano sim, ano não, dependendo do humor dos prefeitos.

O carnaval de Floripa, frequentado por nós no Clube Seis de Janeiro, no Estreito, e nos desfiles - e nossa escola sempre foi a Unidos da Coloninha, que este ano arrasou misturando nela a Camerata, brindando-lhe pelos 40 anos de existência. Tenho a honra de possuir uma bandeira da Unidos, ofertada a mim pelo seu presidente Zé Biguaçu, em pleno desfile, lá por 1980. Dona Sonia e eu nela desfilamos e as lembranças são férteis.

Em Balneário Camboriú, o carnaval se repete. Ano assim, ano assado. Balança entre bons anos e anos regulares. Já foi melhor, convenhamos. Mas, no fim, reconheçamos poucas chances de mudança notáveis. Apesar disso, a bagunça prevalece, com o apelido de alegria muitas vezes dissociada das realidades da festa.

Aqui mesmo, passamos excelentes carnavais desfilando no Mexe-Mexe, a convite do Zeca Despachante, seu líder eterno. E excelentes bailes no Paris Club, também de saudosa memória (afinal tudo acaba, infelizmente, como o outro local, o Metrô Pianos Bar). Falo aqui de coisas do nosso tempo de residência citadina - 27 anos bem vividos aqui. Muitos têm outras preferências saudosistas e atuais - respeitadas no limite máximo.



 
 
 

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© 2020 | Aderbal Machado

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