Aniversário de Criciúma, terra de muitas chegadas e saudades
- Aderbal Machado

- 6 de jan. de 2024
- 2 min de leitura
Na cidade de Criciúma, vivi 22 anos intensos. Ali me fiz jornalista e radialista - de rádio, televisão e jornal. Ali saboreei todas as emoções possíveis, moldando caráter e espírito para o resto da vida. Longe do clássico "não tenho palavras' para expressar isso com qualidade, uso e abuso do texto de Aryovaldo Machado, meu mano saudoso, ao retratar a saga dos colonizadores italianos que a fundaram, em 6 de janeiro de 1880. Texto escrito em 1984. Inigualável:
Chegaram do norte e do mar...
Galopando ilimitados ventos e abnegada esperança, desde as mediterrâneas distâncias.
Chegaram do norte e do mar...
Com olhos de sonho e vigília no lento amanhecer do chão insubmisso e vago.
Chegaram do norte e do mar...
Para o verde desafio das colinas e das dúvidas, do milagre do grão e da vida que os esperava, com sua oferenda áspera e doce.
Chegaram do norte e do mar...
Os pioneiros louros da fé que assentaram na curva do tímido riacho,
os fardos da humilde marcha, a luz de seu medo e o silencio de sua indomável teimosia.
Chegaram do norte e do mar...
E com primitivo empenho, ascenderam todos os quadrantes na desesperada travessia do perplexo futuro.
Chegaram do norte e do mar...
E sobre a profecia do solo, semearam seus frutos e seu amor na fatigada abundância dos simples.
Chegaram do norte e do mar...
E do fundo da terra e da noite dos tempos, escavaram o solo negro de aço e mistério, consumada raiz de sua subterrânea e generosa estrada.
Chegaram do norte e do mar...
Aqueles primeiros homens, aquelas mulheres, do fraterno e severo começo.
Mas outros vieram depois, de outros oceanos, de outros rumos.
Raças noturnas e fortes, mãos de lume e culto, braços de aurora e amanhãs, que vieram somar ímpetos, que fizeram estremecer as obstinadas premissas; tornando-as sumo e audácia, pressa e vontade.
E assim se fez o futuro daquele lugar simples; silêncio entre colinas,
alinhado ao sul, como seu riacho âmbar e prata.
Cidadela de arrojo, máquina e argila; dilaceradas entranhas de trevas e glória.
Criciúma de sempre, menor ou maior, alma ou músculo, verde ou negra, despojada ou plena.
Sempre a Criciúma de sempre, mel e espanto, coração e fibra, vertical e líder, pássaro e ideal.
Sonho, enfim, daqueles divinos e predestinados loucos, que vieram um dia do norte e do mar, e ousaram o desafio primeiro, na primeira hora da gleba; onde sua absurda coragem teimava em ver o imponderável sol, que Deus ali enterrara para ser o prêmio dos justos.
Chegaram do norte e do mar...











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