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Aniversário de Criciúma, terra de muitas chegadas e saudades

Na cidade de Criciúma, vivi 22 anos intensos. Ali me fiz jornalista e radialista - de rádio, televisão e jornal. Ali saboreei todas as emoções possíveis, moldando caráter e espírito para o resto da vida. Longe do clássico "não tenho palavras' para expressar isso com qualidade, uso e abuso do texto de Aryovaldo Machado, meu mano saudoso, ao retratar a saga dos colonizadores italianos que a fundaram, em 6 de janeiro de 1880. Texto escrito em 1984. Inigualável:



Chegaram do norte e do mar...

Galopando ilimitados ventos e abnegada esperança, desde as mediterrâneas distâncias.


Chegaram do norte e do mar...

Com olhos de sonho e vigília no lento amanhecer do chão insubmisso e vago.


Chegaram do norte e do mar...

Para o verde desafio das colinas e das dúvidas, do milagre do grão e da vida que os esperava, com sua oferenda áspera e doce.


Chegaram do norte e do mar...

Os pioneiros louros da fé que assentaram na curva do tímido riacho,

os fardos da humilde marcha, a luz de seu medo e o silencio de sua indomável teimosia.


Chegaram do norte e do mar...

E com primitivo empenho, ascenderam todos os quadrantes na desesperada travessia do perplexo futuro.


Chegaram do norte e do mar...

E sobre a profecia do solo, semearam seus frutos e seu amor na fatigada abundância dos simples.


Chegaram do norte e do mar...

E do fundo da terra e da noite dos tempos, escavaram o solo negro de aço e mistério, consumada raiz de sua subterrânea e generosa estrada.


Chegaram do norte e do mar...

Aqueles primeiros homens, aquelas mulheres, do fraterno e severo começo.

Mas outros vieram depois, de outros oceanos, de outros rumos.

Raças noturnas e fortes, mãos de lume e culto, braços de aurora e amanhãs, que vieram somar ímpetos, que fizeram estremecer as obstinadas premissas; tornando-as sumo e audácia, pressa e vontade.

E assim se fez o futuro daquele lugar simples; silêncio entre colinas,

alinhado ao sul, como seu riacho âmbar e prata.


Cidadela de arrojo, máquina e argila; dilaceradas entranhas de trevas e glória.


Criciúma de sempre, menor ou maior, alma ou músculo, verde ou negra, despojada ou plena.

Sempre a Criciúma de sempre, mel e espanto, coração e fibra, vertical e líder, pássaro e ideal.


Sonho, enfim, daqueles divinos e predestinados loucos, que vieram um dia do norte e do mar, e ousaram o desafio primeiro, na primeira hora da gleba; onde sua absurda coragem teimava em ver o imponderável sol, que Deus ali enterrara para ser o prêmio dos justos.


Chegaram do norte e do mar...

 
 
 

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