A janela partidária e a infidelidade permitida
- Aderbal Machado

- 4 de abr. de 2024
- 2 min de leitura
O prazo para que vereadores troquem de partido termina nesta sexta-feira e as filiações devem ser feitas até sábado.
Esse período, que começou no dia sete de março, é conhecido como janela partidária. A regra foi regulamentada pela Reforma Eleitoral de 2015 (Lei 13.165/15). A janela é um intervalo de 30 dias, aberto apenas nos anos eleitorais, em que os detentores de mandatos obtidos em eleições proporcionais, como é o caso dos vereadores, podem mudar de partido sem perder o cargo que ocupam.
Também são definidos por eleições proporcionais os cargos de deputados distritais, estaduais e federais, mas como o pleito deste ano é municipal, apenas os vereadores serão beneficiados por essa janela.
Fidelidade partidária
A janela foi criada como uma solução depois de decisão do Tribunal Superior Eleitoral, que foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal e estabeleceu que, no caso dos cargos obtidos em eleições proporcionais, o mandato pertence ao partido. Assim, fazendo a troca de legenda, fora da janela, o deputado ou vereador perde o mandato.
O consultor legislativo Márcio Rabat explica que, depois dessa decisão, foi preciso achar uma saída, pois uma das possibilidades para que o político não perdesse o mandato, de acordo com a nova regra, era a criação de uma nova legenda. “Quem estava desconfortável em seu partido precisava de uma saída e foram criados muitos partidos novos, que já começavam com uma certa força de bancada e isso foi fundamental para uma retomada da fragmentação partidária. Em um determinado momento, o próprio Congresso percebeu que não teria como se contrapor à decisão do Supremo Tribunal Federal, mas precisaria mudar regras.”
Existem ainda outras duas situações que permitem a mudança de legenda com justa causa, sem a perda do mandato: desvio do programa partidário ou grave discriminação pessoal.
AGENCIA CÂMARA
NOTA CRÍTICA - Em bons tempos este sistema seria impensável. No passado, bem lá atrás, até poderia trocar, mas perdia eleitores em magotes. Eram os tempos de PSD e UDN. A infidelidade era o pecado mortal dos políticos. Símbolo de queda irreversível de prestígio e conceito. Hoje ser trânsfuga é quase mérito ou, ao menos, é somente mais um detalhe sem importância. O comunicador Datena, por exemplo, trocou de partido 11 vezes, em SP. O prefeito de Balneário Camboriú, Fabrício Oliveira, foi PSDB, PSB, Podemos e agora é PL. Em todos, com o sentido mais extenso do provisório. Ou até que cesse o interesse do vínculo. Partido virou moeda de troca.










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