• Aderbal Machado

Rafael Ferreira, uma homenagem a um grande e vibrante protagonista da vida e das artes


Morreu em Mafra, sua residência há muitos anos, o ator, diretor, produtor e radialista Rafael Ferreira, por muito tempo morador e emérito cidadão de Balneário Camboriú.

Eu o conheci ao chegar à cidade, em 1997, iniciando minha vilegiatura por esta terra, na Rádio Menina, contratado para substituir Elias Silveira na apresentação e produção do programa Bote a Boca no Trombone. Ali permaneci por três anos (até 2000), quando, demitido, me transferi, a convite de Carlos Alberto Spinelli, então diretor da emissora, para a Rádio 99, hoje Transamérica. Ali fiquei por 14 anos.

E durante todo esse tempo Rafael Ferreira e eu permanecemos amigos. E quando assumi a função de Diretor de Cultura da cidade, atividade hoje exercida, com múltiplas competências, pela Fundação Cultural. Naqueles tempos havia uma limitação de tudo: espaços, verbas, abrangências, oportunidades. Foi quando, com lampejos de fantasias e loucuras, resolvi inovar e apostar em eventos bancados pela Lei Rouanet ou fundos culturais de SC. No curso da atividade, foram mais de 400 eventos culturais durante três anos.

E Rafael Ferreira, junto com outros gigantes da arte e os servidores dedicados da Cultura municipal, impôs, com o apoio integral nosso, um ritmo de valorização nunca visto.

E então, em determinado momento de doidice, esvaziamos, no prédio do antigo Departamento de Cultura, hoje Biblioteca e Arquivo Histórico, uma sala de despejo de móveis velhos e ali implantamos um teatrinho de cinquenta lugares, artesanal, acanhado, mas maravilhosamente útil. Ali Rafael despontou com sua arte. Com verbas pequenas e muito carinho pela arte.

Quando na Rádio Menina, dois ou três meses após minha chegada, o dono, Narbal Souza, o Duca, chegou a cogitar minha substituição. Não lhe agradava meu estilo. Só duas pessoas fincaram pé a meu favor - e de forma peremptória: Silvano Silva, o diretor, e Rafael Ferreira. Um, Silvano, voz decisiva. Avalizou-me sem medo e espero não ter se arrependido disso. Rafael foi voz tonitruante a meu favor. Acreditou, pois, segundo me disse depois, sabia quando reconhecia um talento (palavras dele, que até hoje guardo comigo). Talvez tenha exagerado, mas a sua sinceridade sempre me foi valiosa.

Permanecemos amigos por todo o sempre. Muita confidências trocamos. Ele sabia de mim e eu dele. Coisas que foram embora com ele e que irão embora comigo, quando chegar a hora devida.

Rafael foi uma das raridades do mundo artístico. Foi-se muito antes do tempo, vitimado por doença feroz. Fica a imagem de sua férrea vontade.


(FOTOS EXTRAÍDAS DA PÁGINA DO FACEBOOK DE RAFAEL)

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