O estado mais conservador do Brasil ? Há controvérsias históricas...
- Aderbal Machado

- 26 de set. de 2025
- 2 min de leitura
O título de estado mais conservador do Brasil se justifica atualmente, mas nem sempre foi assim. Bom relembrar: nos primórdios do PT, desde sua fundação em 1980, o partido mostrou uma força razoável, administrativa e política no estado. O que se supõe hoje como conservadorismo não funcionou na época.
Em Joinville PT predominou durante bom tempo, idem no Oeste do estado, idem em Criciúma, um de seus núcleos predominantes desde a fundação (aliás, foi lá que o PT começou no estado), cidade que o PT elegeu durante bom tempo vários vereadores, elegeu deputados estaduais e federais, prefeito da cidade com votações expressivas em mais de uma eleição. Em Blumenau dominou durante bom tempo, com a expressão maior do Décio Lima. Idem em Florianópolis onde, reconheça-se, ainda provoca turbulências, afinal não traduzidas em expressões eleitorais maiores. Elegeu uma senadora (2002, Ideli Salvatti) e tinha, no geral, um bom capital político. As mudanças viram depois e os reveses eleitorais se somaram e foram se repetindo, a tal ponto de, hoje, o PT ser considerado frágil ou inexpressivo estadualmente. E a quase totalidade das mudanças em desfavor do PT - ou as esquerdas - deveram-me muito mais à incompetência de seus atores do que ao espírito conservador do povo.

Em conservadorismo, por sinal, Balneário Camboriú registra, em SC, o título de cidade mais conservadora e mais "bolsonarista". Há exageros. Balneário Camboriú é uma cidade historicamente vinculada a dois personagens históricos da esquerda mais autêntica da história nacional: Doutel de Andrade e João Goulart. O ex-presidente tinha casa aqui, nas décadas de 50-60, na qual usufruía de temporadas e momentos de lazer e descanso. A marca é reconhecida e indelével até hoje e há um consenso sobre isso, independente de ideologias ou preferências políticas. O principal colégio público estadual da cidade tem o seu nome. O EJA, de ensino a jovens e adultos, tem o nome de Doutel de Andrade. Com aceitação inequívoca e tranquila. Aqui a fama de radicalismo inexiste, porque a história é mais forte.
E não há radicalismo também para o outro lado: aqui há uma escola municipal com o nome de Médici, em homenagem ao general Emílio Garrastazu Médici, penúltimo ocupante do cargo durante o governo dos militares (1964-1985). Semelhante a Doutel e Jango, a cidade aceita, porque é apenas história. Demonstração de maturidade. Ou apenas tranquilidade quanto a falsos simbolismos radicais. Enfim, o que é, é.










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