• Aderbal Machado

Jogo-do-bicho, uma contravenção de 132 anos em plena atividade, com 81 anos de proibição efetiva

A notícia é:

Na tarde desta terça-feira (01), a Polícia Civil desarticulou a sede de uma central de apoio ao jogo do bicho em São José, na Grande Florianópolis. Foi em ação da Delegacia de Investigação à Lavagem de Dinheiro (DLAV) da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC/PCSC).


As investigações apontaram que nesta terça-feira diversas pessoas envolvidas na contravenção estariam reunidas no local denunciado de forma anônima.


Diante das informações preliminares, as equipes passaram a efetuar o monitoramento e fizeram a abordagem. Além dos suspeitos, no local foi encontrado material utilizado na prática da contravenção. Foram apreendidos ainda cerca de R$ 60 mil.


Diante da situação, os investigados foram conduzidos à sede da DEIC/PCSC para as providências legais. Acredita-se tratar de uma dais maiores apreensões desta natureza nos últimos anos. A diligência contou com o apoio de policiais da DRACO da DEIC/PCSC e DLAB da DEIC/PCSC.


A realidade incômoda fustiga:

O jogo do bicho foi criado em 1892 pelo barão João Batista Viana Drummond, fundador do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, em Vila Isabel, Rio de Janeiro.


A fase de intensa especulação financeira e jogatina na bolsa de valores nos primeiros anos da república brasileira causou grave crise ao comércio. Para estimular as vendas, os comerciantes instituíram sorteios de brindes. Assim é que, querendo aumentar a frequência popular ao zoológico, o barão decidiu estipular um prêmio em dinheiro ao portador do bilhete de entrada que tivesse a figura do animal do dia, o qual era escolhido entre os 25 animais do zoológico e passava o dia inteiro encoberto com um pano. O pano somente era retirado no final do dia, revelando o animal do dia. Posteriormente, os animais foram associados a séries numéricas da loteria e o jogo passou a ser praticado largamente fora do zoológico, a ponto de transformar a capital da república (de 1889 a 1960) na "capital do jogo do bicho".


O jogo do bicho é semelhante a uma loteria federal, mas com algumas diferenças: uma delas é que o jogador pode apostar qualquer valor, que muitas vezes é bem acima de suas possibilidades. Quanto maior o valor apostado em uma sequência numérica (milhar, centena, dezena, etc.), maior será o prêmio em caso de acerto. Com essa flexibilidade de apostas, o jogador é livre para escolher pelo menor valor possível o seu número da sorte nas 10 000 chances disponíveis em cada sorteio. Exemplo: um apostador joga um real em uma milhar no primeiro prêmio (conhecido como cabeça por ser a primeira milhar no topo da lista de resultados). Caso acerte ela inteira (os quatro números), ele ganha 3 000 reais (apostas em São Paulo). Se tivesse jogado cinquenta centavos na mesma aposta e acertado, o apostador ganharia 1 500 reais. Toda banca (organização que faz a administração do jogo do bicho) tem uma tabela de valores que são apresentados aos apostadores, tabela essa que tem muito pouca diferença de banca para banca.


Contravenção

Simples no começo, o sistema de jogo do bicho multiplicou-se pelo território brasileiro. Câmara Cascudo, no seu "Dicionário do folclore brasileiro", distinguia o jogo como sendo "invencível" e que a sua repressão apenas ampliava sua difusão por todo o país. "Vício irresistível", escreveu o folclorista: "(...) contra ele, a repressão policial apenas multiplica a clandestinidade. O jogo do bicho é invencível. Está, como dizem os viciados, na massa do sangue".

O jogo do bicho foi definitivamente proibido em 1941, quando foi promulgada a lei de proibição dos jogos de azar no Brasil.

COMENTÁRIO: a realidade que fica é se, após 132 anos de instituição do jogo do bicho e após 81 anos de sua proibição oficial no Brasil, se conseguirá exterminar a prática. Dizia um amigo meu, responsável pela comunicação da PF de Itajaí, numa entrevista no meu tempo de Rádio Menina (idos de 1997/2000): "O que pegamos - drogas - é 10% do que passa".
Ouso dizer: os flagrantes de jogo do bicho devem estar nestes mesmos índices ou patamares, talvez até menores em relação aos flagrantes. 
Infelizmente para as regras legais, o jogo sustenta o crime (é verdade), mas mantém os sustento de muita gente também. A legalização talvez seja o caminho mais curto. Ou ficaremos mais 132 anos combatendo sem exterminá-lo. Valerá a pena?

(Dados obtidos da Wikipedia)

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