• Aderbal Machado

Bolsonaro pacificou ou arreglou? E o custo de uma ruptura violenta, qual seria? Podemos imaginar?

Vemos agora um novo lance na política: a nova postura do presidente Bolsonaro em relação ao STF e ao ministro Alexandre de Moraes. Arreglou, dizem uns. Acovardou-se, dizem outros. É um recuo estratégico, alegam outros tantos.

Por uma ou por outra tese, publiquei algumas postagens nas minhas mídias sociais:

Se a nota do presidente traduz a realidade, ele errou por não exigir que Moraes também emitisse uma nota sobre o tema, nos termos da sua - ou quem sabe o próprio STF. Foi mal assessorado ou foi bem pressionado. O cheiro não é bom. Teria sido Temer o autor da aproximação de Bolsonaro com Alexandre de Moraes. O Temer é seboso, grudento, pernóstico, sibilino. Nem questiono a pacificação, embora veja certa humilhação do presidente nisso, já que Moraes ficou de vítima, mas é coisa meio gosmenta. O sentimento político do Brasil tá muito parecido com futebol: o torcedor só se liga qdo o time tá ganhando. Ou nos estertores da partida. No mais, xinga como se fosse um adversário. Traduzindo: emoção só ante vitórias fáceis e sucessivas. Com as raras e honrosas exceções, claro. Alguém consegue traduzir em valores humanos, institucionais e políticos o custo de uma ruptura violenta no Brasil neste momento? Pensem bem antes de falar.

A nota final traduz a finalidade do que quero dizer: o preço de uma ruptura, num momento como este de estresse máximo na política nacional, ninguém pode imaginar, mas é certo que seria caro. Num valor imprevisível para a vida nacional. Só com uma certeza: seria péssimo do ponto de vista de estabilidade política, institucional e econômica.


Não se estima a quem se atribui, pois há certa responsabilidade em todos: Executivo, Judiciário e Legislativo, alguns mais, outros menos. Por omissão ou comissão. Por ação ou inação. Por exageros cometidos em posturas adotadas, dentro e fora da Constituição.

Acreditar que uma guerra final seria bom é um tanto tosco. Beligerantes podemos até ser; querer que um "dá ou desce" surja é possível, embora insensato. Há sempre um sentimento de repulsa por atitudes assumidas, por decisões ilegítimas. Será a extremidade da ruptura violenta uma solução? É bom que se tenha noção do que isso significa remontando episódios da vida brasileira como o golpe de Getúlio e seu suicídio, a renúncia de Jânio, a queda de Jango, os 21 anos de regime militar e os fatos sucessivos, como os impeachments de Collor e Dilma.


Neste interregno tivemos o poder exercido por gente e grupos que, em condições remotas, caso, por exemplo, Jânio tivesse concluído seu governo e a partir de lá tivéssemos seguido dentro da normalidade democrática, jamais seriam cogitados para exercê-lo. Caso típico de Dilma Rousseff, Michel Temer e José Sarney. Se formos mais fundo, inexistiria Lula, por exemplo, ele que foi praticamente construído por uma conveniência de Golbery do Couto e Silva, a partir de uma estratégia do regime militar para ter um contraponto às radicalizações no meio sindical (Romeu Tuma Júnior conta no seu livro "Assassinato de Reputações" e outras obras também abordam o tema por este aspecto), a tal ponto que ele passou a dedurar companheiros como queriam os militares (como acusou Tuma no seu livro e não houve qualquer contestação de ninguém e nem de Lula ou processo contra ele até hoje).


Então ruptura é ruim pra todos. E por isso, quem sabe, o recuo do presidente seja adequado para o momento. Os senões estão expostos nas minhas postagens, destacadas acima. Bom dizer que são apenas análises de um curioso, não um cientista político. Ou um "especialista" estilo Globo.


Ademã, que cavalo não sobe escada (saudade do Ibrahim Sued).

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