• Aderbal Machado

Um personagem interessante e o show do Sargentelli

Os amigos se misturam às suas experiências e vão se multiplicando. E a gente nem sente. E, inobstante as distâncias e o tempo de afastamento, continuam amigos, ainda que sem o conversar constante, sequer um telefonema, um oi informal nas mensagens das páginas virtuais. Bastam as lembranças guardadas de momentos vividos.

Esse intróito é para falar de Celso Pereira Raimundo, personagem bonachão com quem convivi profissionalmente e pessoalmente desde 1982 até 1992 em Florianópolis. Eu jornalista da RCE TV e ele presidente do CRECI-SC (Conselho Regional de Corretores de Imóveis). O mais longevo da história do Conselho: 10 anos consecutivos, justamente naquele período de 82 a 92.


Saído da lida do CRECI, prosseguiu no negócio como corretor de imóveis. Até que, em 2018, criou e teve autorizado pelo COFECI (Conselho Federal de Corretores de Imóveis), o Instituto Brasileiro de Estudos Profissionais (IBREP), com cursos como os de Técnico em Transação Imobiliária (TTI), Avaliador Judicial de Imóveis e Marketing Imobiliário Digital. Todos de nível médio, mas garantidores da atividades de Corretor de Imóveis pleno e absoluto.


E neste entrei: estudei lá por oito meses (aulas remotas e provas presenciais) e me formei. Garanti o diploma e, a partir daí, meu registro no Creci.

Curso de alta eficiência, sem qualquer dúvida. Mas gostaria de falar um pouco mais de Celso.


Lembro de quando a fiscalização do TCU batia no CRECI e ele, imediatamente, mandava todo mundo abrir as portas e deixar os fiscais operarem livremente, sem precisar pedir nada a ninguém. Acesso completo. Nunca encontraram nada, certamente. Mas ele o fazia porque tinha como princípio: ou acreditava nos funcionários e na lisura dos atos ou não teria sentido estar ali. Nele, por certo, acreditava e manteve uma gestão incólume de rasuras.


Nossa amizade permaneceu em banho-maria pela ausência física. Mas recentemente contatamos e Celso fez de conta que continuávamos a nos ver todos os dias. Pra ele, o tempo não passou. Personalidade fantástica. Relembrou com detalhes muitas das nossas vivências. Uma delas com uma namorada que teve.


Foram juntos a uma apresentação de Osvaldo Sargentelli e suas mulatas no Copacabana Palace, no Rio e ele comprou lugar no mezanino. Ali serviram um belo jantar de camarão flambado e bom vinho. Daqueles camarões colocados num prato de metal e o fogaréu embaixo para manter quente.


Num dado momento, a namorada, na beirada do mezanino, apenas com a proteção de uma corda grossa (queria ver melhor o show), foi empurrada quando Celso e sua imensa barriga tentou sentar e pressionou a mesa contra ela, que perdeu o equilíbrio, o pé da cadeira oscilou para fora e ela despencou lá de cima, com camarão por cima e tudo. Um espetáculo que interrompeu a exibição de Sargentelli por muitos momentos.


Diz Celso que, naquele dia, passou a noite com a namorada emburrada num canto. Só no outro dia ela conseguiu rir da situação. Porque ele já tinha rido o suficiente. Escondido, claro...


Se Celso fosse contar todas as suas peripécias teríamos longas tertúlias pela frente...

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