• Aderbal Machado

Ruas com andarilhos não é apenas uma questão social a ser resolvida, mas também de segurança

A princípio, o título tem ares de agressividade social. Engano. É só uma realidade dura. Lá pelos idos de 1998, governo de Itapema, com o prefeito Magnus Guimarães, detectou, em blitz entre andarilhos, a existência de foragidos da Justiça e até condenados em liberdade. Estavam lá, livres, leves e soltos, cometendo seus delitos sem pressão maior - só a discussão em torno de suas carências. Se tornarmos medidas iguais por aqui e noutras cidades, haverá um resultado parecido, pra mais ou pra menos.

Essa gente é abandonada pelas autoridades de suas localidades de origem. Sem surpresas ou raridades, muitos deles literalmente deportados nas madrugadas e despejados nas margens de rodovias de cidades litorâneas, de preferência, com alta circulação. Outras vezes abandonados pelas famílias ou fugidos delas, com ou sem razões, apenas para sair do jugo de parentes e das obrigações naturais de cumprir regras de todos.


Exigir soluções para eles é só parte de seu drama, cuja repercussão se dá sobre todos os cidadãos das localidades para onde migram. O drama aumenta quando aceitam o acolhimento, mas não querem seguir regras e nem cumprir a finalidade: tratar-se e, com custo social público, retornarem às suas origens e admitir trabalhar e ter renda própria. Alguns até repudiam com violência, protegidos pela natural sensibilidade de quem os aborda. Mesmo assim, a questão continua presente. Pior: sem solução plausível.


Esta foi a causa de o prefeito Clésio Salvaro, de Criciúma, ter dado o ultimato: abrigo social tem o limite da aceitação de um trabalho. Cuidado até certo ponto. Depois, se não quiser trabalhar, vai embora. Uma solução discutível é melhor do que nenhuma.


É que, nas ruas, por pior que seja a situação - e é muito ruim sob todos os aspectos - ganham sustento, até arrecadam valores e assim vão sobrevivendo sem se submeter a nada e nem a ninguém. Prevalece o direito de ir e vir, consagrado na lei. Direito não absoluto, pois há o aspecto de esse direito influir no direito do outro. Uma autêntica invasão de espaços comuns de forma indevida. Até espaços privados.


No fim, a situação mais crítica é quando parte deles está voltada a pequenos furtos em todos os lugares por onde passam e onde convivem mais habitualmente.


Nos cruzamentos com sinais é comum ver-se cada vez mais essas pessoas, a maioria com boa saúde e até jovens pedindo dinheiro "para comer". Aí vem o drama: ofertar a ajuda pode ser um incentivo ao vício ou pode ser mesmo para comer. Por uma ou por outra situação não resolve. Nem pra ele e nem pra cidadania. Pois ele vai continuar ali, eternamente, fazendo exatamente a mesma coisa.


No caso de Balneário Camboriú, o Conseg abriu o debate e, neste dia 27, fará uma reunião mensal para debater o assunto. Para falar da quantidade dessas pessoas na cidade, dos adeptos da mendicância, de vadiagem, do alto consumo de bebidas alcoólicas e drogas, dos furtos em residências e condomínios, da rota de furtos (túneis e trevos) e, finalmente e maior de todas as culminâncias, a receptação de recicláveis e ferros-velhos.


Há que se começar atacando a base: a recepção. Apertar o pescoço da causa. Se não tiverem pra quem vender, não furtam. Punição severa pra receptadores é o principal.


Quanto aos andarilhos não adeptos de furtos, a melhor saída é conhecer-lhes a origem e denunciar lá nas suas cidades, via MP, via imprensa e diretamente, para que os governos locais dêem jeito na sua gente e não os exporte para outras cidades. Assumam suas responsabilidades. Cada um com seus problemas.

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