• Aderbal Machado

O tempo impiedoso julgará (e punirá) MDB e Moisés pela mancomunação eleitoral de 2022

O maior partido do Brasil e de SC mercantiliza sua força e significado, desprezando a oportunidade de ser protagonista e se sujeitando a ser mero coadjuvante. O MDB, de fato, negocia sua força a preço de boteco, jogando aos leões o seu pré-candidato ao governo e manifestando, por seus deputados e prefeitos, apoio ao atual governador Carlos Moisés.


Parece fim de feira. Antigamente, querendo demonstrar o orgulho e potencial do MDB, diziam os seus mais expressivos líderes: "O MDB não pode ser a quinta roda da carroça". Ouvi isso da boca de mais de um líder do partido, um deles o ex-deputado estadual e federal João Matos. Para um partido que foi exponencial com as eleições de Pedro Ivo e Luiz Henrique em SC, entregar-se a esse papel humilhante é demonstração de decadência política.


Trata-se, na verdade, de um jogo de interesses: os prefeitos, por exemplo, jogam no lixo um seu colega (Antídio Lunelli) e preferem um governador que, segundo eles, deu-lhes uma atenção nunca dantes recebida. Mas também preferem um governador cuja eleição tinha como finalidade combatê-los. Só não o fez porque, como o próprio MDB, também busca sua sobrevivência política e o poder. A diferença entre os dois é a fatura: uns cobrarão caro e outro terá que pagar, sob pena de não poder governar. Foi, aliás, votos de peemedebistas na Comissão do Impeachment que o livrou de cair fora do governo. Assim, é uma primeira prestação sendo quitada. Porque se dependesse apenas do critério jurídico (o voto dos desembargadores) estaria fora. Mas dependeu do critério político, afinal suprassumo de todo e qualquer julgamento parecido.


Sem dúvida, em vencendo (mas ainda há uma eleição pela frente, com todas as suas imprevisões), irá se arrepender, tarde demais, de ter sido transformado num mero avalista de nomeações de favor. Aos montes, bom dizer. Alguma dúvida?


O tempo dirá e, dependendo, será impiedoso.




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