O que os governos deveriam ter feito e não fizeram reflete hoje, além da incompetência conhecida


Num momento como o atual é que observamos o quanto ações lá no passado prevaleceram nos resultados de hoje, negativos ou positivos. Falta de leitos de UTI foram recorrentes no Brasil desde sempre, mesmo sem pandemia. Atendimentos da saúde sempre foram marcados por situações até macabras, como hospitais cheios de pacientes rebentados deitados no chão ou em macas nos corredores, falta de médicos, maus atendimentos, falta de remédios, falta de insumos e equipamentos.

Com a pandemia isso só extrapolou as medidas imagináveis, em qualquer escala. Foi à estratosfera. Por isso avaliamos hoje se, ao invés de sediarmos Olimpíadas e Copa do Mundo de Futebol, não teria sido melhor privilegiarmos as carências básicas que sempre existiram. E, pelo jeito, sempre existirão, porque o país, seus governantes e, cá pra nós, o povo que vota (no caso nós todos) precisam aprender a lidar com o mínimo necessário para o povo como um todo.

Construir estádios caríssimos hoje sucateados por absoluta falta de uso e finalidade demonstram bem esse fracasso.

Não é só, porém. No andar da carruagem, privilégios a políticos e ao sistema por eles integrado se multiplicaram geometricamente. Faziam sugestões ao governo para aplicar dinheiro, mas do Fundo Eleitoral e Partidário não abriram mão de um centavo.

O inchaço da máquina pública com apaniguados ainda agora é recorrente. Inegável. E vemos exemplos contraditórios: deputados ou vereadores preconizam necessidade de exemplos de economia de dinheiro público, mas não abrem mão dos seus montes de assessores de gabinete, parte deles uma sinecura, e de verbas para tudo, em nome da tal "representação" ou "representavidade" da função.

Querem que o Executivo demita e enxugue, mas o Legislativo, que no mais das vezes é quem sugere, não o faz. O exemplo começa em casa. Faça-se primeiro para exigir do outro. Há que se ter uma reforma administrativa verdadeira, em todos os níveis. Não aquela para reassentar privilégios com outro nome. E nela há que se ter enxugamento do número de servidores, principalmente os de livre nomeação.

Porque, em verdade vos digo, fica fácil exigir, por exemplo, a implantação de mais leitos de UTI, nesta terrível necessidade que estamos passando ante a pandemia. Nisso, o que importa é ser protagonista "dos desejos do povo", sem atentar para o altíssimo custo de um leito de UTI, pois nele não há só os equipamentos necessários de custo elevado, senão também o corpo médico e técnico ao redor, 24 horas por dia. Infelizmente é este o quadro. Agora mesmo se leem notícias de que há estados desinstalando esses leitos, inativados por falta de pessoas capacitadas para cuidá-los e permitir o bom uso.

Digamos que os governos, todos, foram lenientes em relação a isso. E agora vivem o drama de estar com limites sérios para ir adiante. Muitos só querem, ainda hoje, lacrar nas mídias e na imprensa, à cata de reflexos político-eleitorais (o Dória é mestre nisso e quanto mais fala e propaga, mais mortes e casos explodem em SP).

No meio disso tudo, as incompetências, os roubos, a corrupção e a conveniência administrativa, coisa quase criminosa no sentido moral: os estados estão com os cofres abarrotados, contas em dia, graças aos bilhões chegados em nome da pandemia. Falta uma fiscalização rígida do emprego desse dinheiro, quando sabemos que o governo do RS usou para colocar em dia sua folha de pagamento.

Houvesse essa fiscalização longe dos gabinetes oficiais, quem sabe por um conselhão externo, os R$ 33 milhões dos respiradores de SC não teriam acontecido. O notável é que as fiscalizações são feitas sempre "a posteriori". Vão nas consequências. Quando, não raro, não há mais volta.


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