• Aderbal Machado

O funil das decisões para as eleições majoritárias está chegando ao fim

O cenário, ante a aproximação do final do prazo para oficialização e registro de candidaturas, apresenta o funil das decisões, principalmente dentre as eleições majoritárias. Em Balneário Camboriú - mas não só aqui -, nomes lançados como cabeças-de-chapa se submetem a serem secundários em chapas ajustadas por acordos partidários. Juntando, não raro, personagens cujas relações passadas nem foram as melhores, com vivência de conflitos de toda ordem - ideológicos, políticos e até administrativos. Neste tempo, prevalecem as conveniências ou o conforto de não sacrificar um esforço ou até recursos em uma demanda suicida.

Um parêntese, para ilustrar: antigos sábios da política (os empíricos, os da vivência calejada do dia a dia) afirmavam, sempre, que um candidato com grande capacidade de fazer política pode superar com vantagem um candidato com grande capacidade administrativa, falando-se, no caso, de concorrentes à vaga de prefeito. Para aquela gente lá dos tempos risonhos de tantas décadas em que até as leis eram muito mais leves e as regras eram quase inexistentes no controle do voto e da campanha, um bom político tem mais facilidades de vencer do que um excelente administrador. A velha máxima era e é: enterrar canos não dá voto (só para a ilustração de um fato; executar obras tem a coloração da mera obrigação, com nenhuma nuança de algo extraordinário).

Neste aspecto, vimos, em todos os lugares por onde passamos, grandes administradores tomarem verdadeiros banhos de voto nas suas tentativas de retornar à administração, tentarem se reeleger ou apoiarem nomes novos. Entretanto, se for bom político e, ao mesmo tempo, bom administrador, juntam-se duas conveniências importantes.

Todos os pré-candidatos ou candidatos precisam ter uma meta clara e visível. Um projeto com começo, meio e fim. Conteúdo em estado puro. Ou não merece chegar. Simples assim.

Assim, bom olhar bem as chapas lançadas. O candidato a vice, por exemplo, é vital, embora a indicação, com raras exceções, obedeça apenas a fatores como juntar forças - ainda que antagônicas - para ganhar espaços na propaganda eleitoral, garantir financiamento de campanha e reforçar chapas de vereadores. O desajuste é quando o eleitor percebe isso e resolve mostrar na urna. E atenção: o vice precisa ser harmonioso, parceiro. Ele vive a expectativa do poder, mas o que se tem visto em tantas administrações é os vices não terminarem em paz com os titulares.

Finalmente, vem a exigência de um currículo impecável, a começar pela ausência de processos, denúncias (mesmo não transitadas em julgado) ou condenações, mesmo muito passadas. Muitas vezes nem isto decide o voto negativo, pois as Assembleias e o Congresso estão cheios de gente com embaraços judiciais se reelegendo sempre.

Depois vem a exigência de formação, conhecimentos, bons exemplos de gestão. Isto é bom, faz parte do jogo para depurar o quadro, mas também esbarra numa incongruência, pelo exemplo: tais personagens com currículo alentado lotam as Câmaras, Assembleias e Congresso e o que vemos, bastando ler os noticiários, é que essas virtudes materiais não resolvem muito na ética e na honestidade. E em muitos casos não resolvem na competência, também.

Na vida política nacional contemporânea há um exemplo de contraste (e cada um julgue como quiser) para evidenciar tudo isso: tivemos um presidente PHd (Fernando Henrique) e um que não tem sequer o curso primário (Lula). Ambos eleitos e reeleitos. O currículo acadêmico nada resolveu, qualquer que seja a visão em relação aos seus governos.

Mas, sim: todos os pré-candidatos ou candidatos precisam ter uma meta clara e visível. Um projeto com começo, meio e fim. Conteúdo em estado puro. Ou não merece chegar. Simples assim.

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