• Aderbal Machado

Nosso poder político é frágil e, por isso, as soluções demoram ou não acontecem na cidade e região

Números eleitorais: dos votos registrados na eleição de 2018 (eleições gerais) em Itajaí e Balneário Camboriú, os principais colégios eleitorais da Amfri, mais de 60% foram para nomes de fora dessas cidades. Itajai teve computados 120.000 votos e Balneário Camboriú 71.000. Aqui, mais de 44 mil votos destinaram-se a nomes de fora, apesar de a cidade ter cinco nomes disputando. Itajaí teve seis nomes disputando, conquistando 55 mil votos no total.

Na Amfri (11 municípios) somam-se algo em torno de 400 mil eleitores e elegemos apenas dois candidatos à Assembleia, considerados os dois mais votados na região (dentre os eleitos), Paulinha e Mocellin.

No sul, tese já levantada aqui, são 475 mil eleitores em 27 municípios (regiões de Criciúma, 12 municípios, e Araranguá, 15 municípios), elegeram-se oito deputados estaduais e quatro federais. Explicação: lá os votos são telúricos, da terra, pois as pessoas têm raiz e inexiste a migração daqui, para onde vêm muitos, ficam, porém, apesar de transferir seus títulos, preferem votar nos nomes de suas regiões. Alguns sequer transferem o título eleitoral. Outros nem se dignam a licenciar seus veículos aqui.

Essa fala é para nos referismos a outra coisa, decorrência direta do potencial político-eleitoral: a necessidade de nos centrarmos em lutas regionais e não cada um puxando a brasa pra sua sardinha, numa disputa fratricida para saber quem pode mais.

Um exemplo: em 2005, na disputa pelo abastecimento de água, Camboriú preferiu assumir ao invés de assinar com a Emasa para cuidar disso e do sistema de esgoto. Então temos hoje um impasse ainda difícil de ser resolvido, apesar de palavras e encaminhamentos até aqui sem sucesso. O maior poluidor do rio Camboriú é a cidade de Camboriú, sem um centímetro de rede de esgoto sanitário. Lá se vão mais de 16 anos de Emasa.

Mais: em 2019, os prefeitos Fabrício e Élcio anunciaram um tratado entre os municípios para resolver isso. Até agora nada aconteceu.

Outro exemplo: em 25 de março de 2013, o governador Raimundo Colombo anunciou a contratação de empresa para elaborar os projetos de engenharia rodoviária e pavimentação asfáltica do trecho que liga a SC-486, entre Brusque e Camboriú, numa extensão de aproximadamente 33 quilômetros, que estimularia em definitivo o turismo rural e seria alternativa excelente de desenvolvimento daquela região, além de servir de redução de distância entre as regiões. Um caminho cênica espetacular.

A empresa vencedora da concorrência foi a Sulbrasileira de Serviços de Engenharia Ltda, pelo valor de R$ 1.782.069,20.

Passados nove anos, o que temos neste momento: nada.

Isso comprova que pensamos muito cada um por si e poucos se dedicam a pensar e concretizar soluções regionais. E exigi-las.

Outra coisa é o transporte coletivo integrado. Cansou o papo de encontros, discussões, projetos e anúncios. Até agora nada.

O Hospital Ruth Cardoso, completando 11 anos e vivendo a mesma agrura de sempre: Balneário Camboriú continua bancando a maioria das despesas e se formou um buraco de mais de R$ 220 milhões (déficit), considerados os últimos cinco anos. Aportes do Estado e dos municípios vizinhos, obrigatórios por lei, nem fazem cócegas, por terem limites nunca ultrapassados. O excedente dos atendimentos e internações (além das AIHs pactuadas) são pagos por Balneário Camboriú. O pecado: ser porta aberta, erro abissal cometido na sua abertura e credenciamento. Deveria ser porta fechada. Ou seja, apenas para atendimentos de balneocamboriuenses.

A conclusão: falta-nos poder político, poder de diálogo, poder de síntese, poder de harmonização, poder de decisão conjunta, poder de dar socos na mesa para exigir soluções de quem de direito. Enfim, falta o principal e sobra pieguice demagógica e muitas desculpas esfarrapadas.

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