• Aderbal Machado

Nossas mazelas e as vozes sem pragmatismo e fundamentos

Noutro artigo neste site, expusemos os projetos discutidos pela cidade durante décadas inteiras e, afinal, alguns estão só agora realizados e, destes, alguns ainda inertes e outros tantos sem perspectiva.

E durante todo este tempo, vozes eram ouvidas, campanhas encetadas, discursos repetidos, compromissos assumidos e jamais cumpridos. E muitas continuam. Malhando em ferro frio, pela simples e boa razão de que são, por si mesmos, irrealizáveis. E porque, nalguns casos ainda, são apenas fundamentos demagógicos ou apelos destinados a causar comoção e produzir simpatias e votos.

Um dos casos é o efetivo policial. Perceba-se, ao longo de anos e anos, furiosas campanhas por mais policiais na nossa tropa de segurança. Ironia: quanto mais se bradou, quanto mais campanhas, quanto mais ênfase, mais perdemos efetivo. Efeito contrário. Houve até um período curioso: a época em que mais perdemos efetivo militar na cidade foi quando tivemos no poder estadual um governador da cidade (2010).

Outro caso é o hospital Ruth Cardoso. Construído fora de padrão para a realidade da cidade, inaugurado sob condição de porta aberta - erro crasso, cheio de senões da vigilância sanitária estadual - cremos que 17 pendências, dentre as quais a falta de sistema de esgoto e espaços indevidos, até de largura de portas. E, principal, sem estrutura adequada. Está assim até agora.

Ficaram a exigir mais recursos estaduais - que jamais vieram; a exigir mais apoio dos municípios da redondeza que o utilizam intensamente (pelo fato mesmo de ser porta aberta) - que jamais vieram. E nem virão. E se viessem, seria pior, por mais esquisito que pareça: porque aí explodiria tudo aqui e chegaria a hora em que, por qualquer razão ou sem nenhuma razão, parariam de ajudar e estaria formada a responsabilidade irresponsável. O que temos de ruim hoje ainda não é o pior: ao menos sem as ajudas, sabemos da dificuldade e ela não é falsa. É material, é real, insofismável. Não seria nada agradável ter a sensação da ajuda sem ela aportar no hospital.

Finalmente, o trânsito. Ah, a mazela inquestionável e complicada desta cidade cujo território limitado acumula 100 mil veículos licenciados, tirando os da redondeza que circulam por aqui.

O que expressam os açodados: estacionamento rotativo precisa funcionar. Precisa. Mas o querem organizado sem custo. Isso não existe. Reclamam do controle fiscalizatório - na indefectível conversa da "indústria da multa". Assim é também em relação aos radares ou controladores de velocidade.

Quando aos radares e controladores, é fácil. Pesquisem no site do Detran: nos anos em que menos tivemos controladores como hoje, punia-se bem mais do que atualmente. Muito mais.

Para esses casos, há um remédio infalível: cumpram-se as regras. Siga-se a lei. A ortodoxa e a do bom senso ou da boa educação. Pronto, fim da "indústria da multa".

Mas o que querem? Espaço à vontade, estacionar onde bem entendem pelo tempo que quiserem, circular em velocidade incompatível com a segurança viária, prioridade para cada um em detrimento do todo.

Hoje, credita-se à ausência de transporte coletivo o caos do trânsito, pois muitos optam pelo carro ou pela moto. Buenas: quando tínhamos ônibus andando à plenitude, era igual.

A tudo isso se conclui: as discussões precisam ser mais pragmáticas, mais consistentes, mais objetivas. Nada se resolve à base do "quem grita mais tem razão". E nem na pretensão de conhecimento único e incontestável.



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