Morre Casildo Maldaner, vai-se o político, eterniza-se a lenda


A morte de Casildo Maldaner, após intenso sofrimento com um câncer, nos remete à busca de suas singularidades na prática política e no jeito, até, de concordar ou dissentir de companheiros e adversários.

Manteve uma linha admirável de comportamentos e atitudes, dignificando, como se quer de todos os políticos, a conduta e a forma de seguir.

No começo da década de 70 foi vereador, depois deputado estadual, deputado federal, senador, vice-governador e governador, tendo presidido, depois disso, várias entidades públicas.

Seu momento mais crucial talvez tenha sido quando, vice-governador eleito com Pedro Ivo, teve de substituí-lo em virtude de sua morte em pleno mandato.

Tive a honra de tê-lo nas minhas amizades e com ele ter mantido um relacionamento pessoal e profissional enquanto deputado estadual, vice-governador e governador, principalmente, quando, em várias ocasiões, participei de suas entrevistas e o encontrei aqui e ali, em papos muito descontraídos e sempre cheios de graça.

Sua vitalidade era impressionante ao circular pelo Estado inteiro no fortalecimento e manutenção do seu MDB. E memoráveis eram suas divertidíssimas entrevistas coletivas como governador em todas as segundas-feiras, quando entremeava temas sérios com tiradas bem humoradas sobre qualquer tema. Dava até prazer estar lá.

Dentre nossos entreveros, lembro de um, quando ele, candidato a vice de Pedro Ivo, me encontrou numa solenidade, me abraçou e, ante minhas críticas à chapa, sorriu e apelou: "Aderbal, vê se deixa de judiar da gente; tu é boa gente e nós também. Não vamos "se" bicar por nada". Sua gargalhada quase contida nos fez ficar mais um tempo ali, trocando ideias sobre a campanha.

Aliás, suas tiradas estão consignadas para sempre no livro "Casildário" (frases e significados de seus bordões), de autoria de Dorvalino Furtado Filho. Vale a pena ler para conhecer bem o jeito de Casildo.

Casildo nos deixa aos 79 anos, fragilizado pela doença e talvez mais fragilizado ainda pela frustração de, nesses derradeiros tempos, não poder fazer o que mais gostava: viajar para fazer política pelo seu venerado MDB, partido a que pertenceu desde quando se formou, ele que foi udenista por algum tempo, no começo de sua trajetória.

Vai-se o homem, eterniza a lenda.

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