Melhor parar de bla-bla-bla e buscar logo uso racional e urgente para o prédio do Centro de Eventos


Se greve, manifestação e protesto resolvessem nossas pendências com a eficiência que exigimos, imaginamos, desejamos e necessitamos, o Brasil seria um país lindo e perfeito. No entanto, parece que quanto mais se pratica isso tudo, mais complicado fica resolver. Nem tudo, convenhamos, mas no mais das vezes sim.

Principalmente greve de professores todo ano tem. Há décadas. Desde que me conheço por gente. E todo ano retorna, com as mesmíssimas reivindicações e com os mesmíssimos efeitos. Às vezes mais de uma vez, até. Ao final, só pais e alunos são sacrificados e sofrem prejuízos. E quem paga imposto pra ter o serviço, que é essencial, e não tem.

Em Balneário Camboriú, agora chegam 24 novos PMs para o nosso contingente. Notícia ótima, sem qualquer dúvida e sem reparos. Aí a gente olha ao longo do tempo e vê que, há 30 anos, tínhamos quase o dobro de efetivo do que temos hoje, com uma população da metade ou menos. Ou seja, a proporção policial-habitantes caiu barbaramente. Perdemos no relativo e no absoluto.

E neste tempo todo o que mais se esbravejou, principalmente políticos, foi em favor de mais efetivo. Adiantou bulhufas. Resiliência zero. Porque os governos todos nunca deram muita pelota pra isso ou porque, em verdade, nossa força se resumiu, sempre, a vozerio sem sentido. Nem quando estivemos com o poder estadual na mão, com o governador "nosso" resolveu. Pelo contrário; foi em 2010 que perdemos mais efetivo: 23 policiais militares saíram daqui para Navegantes e Camboriú. Por coincidência, municípios governados pelo PSDB, mesmo partido do então governador. E isto não é fake news e nem fofoca de desocupado. São números. Estão lá. É só buscar na PM.

Aí esbarramos no episódio triste do Centro de Eventos. Foram pelo menos 10 anos de pires na mão pedindo ao governo uma alternativa para o turismo sazonal. E então decidiram construir, a duras penas. Levantaram o prédio com mil arranjos, demoras insondáveis, poliquices condenáveis e, finalmente, tiveram a petulância de "inaugurá-lo" várias vezes. Faziam-no sempre que algum político queria aparecer e assuntar na imprensa.

Foram outros dez anos de espera. E está ele lá, impoluto e abandonado. Sem prazo para ser ocupado.

E neste momento, é muito provável, se quisermos ser realistas, nem haverá condição de abri-lo como se anunciou. Primeiro, porque já lá atrás, antes da pandemia, ninguém se apresentou para assumi-lo, tais as absurdas exigências do edital de licitação.

Depois veio a pandemia e, pelo tempo que ainda é desconhecido dos seus efeitos, ouso dizer, sem medo: esqueçam.

Busquem logo uma outra alternativa de ocupação. Repito o que já disse outras vezes: antes que o governo do Estado, qualquer que seja seu ocupante, faça, por conveniência administrativa ou política, uma lambança com ele, longe dos nossos interesses e carências.

Vamos lamentar muito, mas mereceremos apanhar e ficar quietos por burrice.

Sugeri várias vezes e outras pessoas também o fizeram: ali pode ser, em parte, nossa rodoviária, tirando do atual local um ponto de tranqueiras do trânsito e outras inadequações. E o restante do espaço pode ser para exposições comerciais e de nossos artesãos, além de restaurantes e lanchonetes típicas ou de gastronomia étnica, como tinha o antigo Parque da Santur de, ao mesmo tempo, lindas e tristes memórias pelo seu fim melancólico. Porque, justamente, o governo do Estado fez uma lambança, vejam só.

Então, quem esteja promovendo campanhas em torno dele, como o ilustre vereador Marcelo Achutti, deixem de demagogia e vão ao centro nervoso da questão. Sejam práticos e menos políticos. Parem de bla-bla-bla.


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