• Aderbal Machado

MDB de SC volta a ser a quinta roda da carroça e machuca a sua história

Em uma das eleições mais competitivas de SC, a disputa entre Esperidião Amin e Luiz Henrique, na reeleição deste em 2006, falava-se muito na proeminência do partido, na sua estrutura gigantesca, no seu poderio estrutural e eleitoral, demonstrado em eleições sucessivas ao longo do tempo. Ante a tentativa de adversários de tirar-lhe esse hegemonia e sugerir, até, papel secundário, lideranças do partido ecoavam uma frase: "O MDB (então PMDB) não será a quinta roda da carroça".

Pois, passados tantos anos e ocorridos tantos pleitos, levanta-se a realidade estatística, fortalecendo essa tese:

O MDB (como PMDB), dos 13 governadores exercentes do cargo de 1987 para cá (34 anos), emplacou cinco (Pedro Ivo, Casildo Maldaner, Paulo Afonso, Luiz Henrique, Eduardo Moreira). seja como eleitos diretamente, seja como substitutos eventuais (Casildo e Eduardo Moreira). Ou, dos 34 anos de exercício de mandatos neste período, o MDB ocupou 16.

Manteve, desde lá, e ainda mantém, a liderança absoluta ou números consagradores em prefeitos e vices eleitos, números de vereadores, bancada federal, bancada estadual e senadores. É absoluto no número de filiados em SC e no Brasil.

Em SC, tem fantásticos números: 185.931 filiados – 21,5% de filiados de todos os partidos. O segundo é o PP, com 128.597. Os demais, todos com menos de 100 mil filiados.

No Brasil também é o maior, com 2.100.000 filiados – 13,2% do total. O segundo é o PT, com 1.600.000 mil. O resto, todos abaixo disso.

Em 2020 elegeu nove deputados estaduais (quase 25% da Assembleia) e três federais.

Um senador.

Mas agora, a discussão é: o partido está esfarelando quanto ao seu comando e legitimação? Parece que sim.

Agora mesmo, prefeitos e vices da região da Amesc (Araranguá), realmente todos, oficializaram apoio a Carlos Moisés (sem partido) para a reeleição ao governo do Estado:

Gislaine Dias Cunha (Prefeita de Sombrio) Cesar Cesa (Prefeito de Araranguá) Moacir Teixeira (São João do Sul) Paulo Della Vecchia (Ermo) João Mezzari (Jacinto Machado) e os vices Jeriel Isoppo (Sombrio) Juraci Favarin (Morro Grande) Pedro D'Avila (Santa Rosa do Sul).

Eles alegam ter sido ele o governador que mais atenção deu à região. Levando-se em conta isso, até se pode aceitar a iniciativa. Mas pelo lado partidário ou da sobrevivência do partido, foge bastante à lógica. A pergunta: o MDB convalida isso?

A outra sensação de perda é o MDB, com tanta história (como mostram os dados e números lá de cima) deixar-se ser a "quinta roda da carroça". Ou seja, submeter-se ao papel de coadjuvante, de secundário, de estribo. Faltam nomes para a disputa? É também estranho isso. Como um partido deste tamanho cresce tanto para não formar ninguém minimamente preparado para concorrer com condições de vencer ou disputar bem? E o Antídio Lunelli, prefeito de Jaraguá do Sul, que colocou seu nome à disposição?

Se for isso, o partido cresceu e não maturou. Deteriorou. Apodreceu suas bases. E desmantelou sua história.

Li, noutro dia, aliás, que deputados do partido apoiam o governo de Carlos Moisés, a tal ponto de ter secretário de Estado do partido por lá, no caso Luiz Fernando Vampiro na Educação. Apoiam, mas ante a pergunta se algum deles se apresentaria como candidato a vice na chapa de Moisés, todos declinaram. Pra mim, sintomático. Seguem a cartilha: serem amigos do rei e não dividir o trono. Assim, têm eles o descompromisso de, em querendo, manter apoio ou tirá-lo na hora em que bem entenderem ou não lhes for conveniente. Já vimos isso, nos dois sentidos. A posição do MDB hoje, comparando-se ao início deste governo, comprova isso com fartura.

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