Jornalistas da RBS comentaram o assalto à cidade de Criciúma e foram punidos pela opinião pública


O bombardeio nas mídias sociais contra os jornalistas David Coimbra e Kelly Matos, por terem, no seu programa diário da Rádio Gaúcha de Porto Alegre (RBS), tecido comentários considerados inconvenientes no caso do assalto da cidade de Criciúma por um bando de criminosos na madrugada do dia 1. de dezembro, rendeu sucessivos episódios. O pior deles a perda de todos os patrocínios do programa e notas de protesto dos patrocinadores.

Depois, pressionados pelos fatos, se retrataram, reconheceram o erro e pediram desculpas. Um pouco tarde.

Foram condenados pela maioria da população. Alguns os defenderam. A Associação Riograndense de Imprensa e a própria RBS o fizeram, mas não os isentaram da culpa - pelo contrário, reconheceram a maneira indevida como agiram. No entanto, aliviaram - ou tentaram - estigmatizando como "liberdade de imprensa". Pessoas e jornalistas de Criciúma - e a própria diretora de Comunicação do governo do RS o fez -, tentaram defendê-los. Não foram muitos, mas aconteceu. Do tipo "são gente boa", erraram, mas "foi em nome da tentativa de acerto". Não sem acusar até de certo fanatismo e impiedade o tipo de reações havidas nas mídias sociais. Esperavam o quê? Beijos e abraços?

O próprio reconhecimento deles pelo erro de suas observações diz bem. No caso de David Coimbra, a sua explicação até piorou tudo. E, neste ponto, admira muito serem jornalistas experientes e vividos e cometerem uma infantilidade dessa. Só se pode imaginar que tenha isso ocorrido pela suposta autosuficiência que muitos colegas da imprensa acham que tem para dizer o que quiserem e passarem em branco. O bicho pegou principalmente porque David Coimbra teve passagem indelével pela imprensa de Criciúma, onde viveu por muitos anos.

Os pecados principais de ambos foi tentar romantizar e glamourizar e quase tornar os bandidos cidadãos modelares, ao deixar dinheiro nas ruas para a população, como se isso fosse uma atitude digna. E também, no caso de Kelly Matos, chegar a dizer que o erro não seria assaltar bancos, mas existirem bancos. Aí o caldo entornou, pois o programa de ambos tinha como um dos principais patrocinadores justamente um banco, o primeiro a retirar o patrocínio e protestar em público.

E então se percebe que nem sempre os bancos acadêmicos adequam o profissional à realidade mais próxima do ideal. Ou da informação como ela deva ser mostrada e não imaginada.

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