• Aderbal Machado

João Rodrigues, Clésio Salvaro, Luciano Hang, Fabrício Oliveira, as desistências ilustres

Além deles, por aqui, também João Dória desistiu da candidatura à presidência pelo PSDB, após vencer as prévias, abrindo mão também da candidatura à reeleição ao governo de São Paulo e Sérgio Moro também em vias de desistir e candidatar-se à Câmara Federal. Para os bons analistas com visão além do seu nariz, este final tinha uma clareza meridiana. Mesmo as pesquisas cheias de dúvidas indicavam uma impossibilidade técnica, política e eleitoral de chegarem perto de uma vitória. Dória, na última pesquisa, exibiu um ridículo 1%, perdendo de goleada para a margem de erro. Para quem forçou a barra durante a pandemia, assumindo-se como o pai da vacina, o rei da cocada e o rei do marketing, especialista que é neste ramo, chega a ser humilhante.

Mas próximo de nós, as desistências de João Rodrigues, Clésio Salvaro e Luciano Hang vibraram um pouco mais. Contudo, a poucos enganaram nas suas investidas. Analisando:

- João Rodrigues, num primeiro momento, alvoroçou suas bases admitindo a candidatura ao governo. Depois, anunciou apoio a Carlos Moisés, por um alegado bom serviço do governo do Estado em favor do Oeste e de Chapecó. De repente, volta tudo e admite ser candidato novamente. O desgaste estava feito. Ficou o tempo que pôde. Quando viu suas chances menores, condicionou à presença de Clésio Salvaro como vice na chapa.

- Clésio Salvaro, lá atrás, havia anunciado disposição de permanecer no mandato de prefeito de Criciúma. Depois, alisado por alguns "companheiros", cogitou, de leve, ser candidato a vice na chapa de João Rodrigues. Levou a jogada até quando pôde e também desistiu.

- Fabrício Oliveira deu uma rápida volta no cenário político-eleitoral, anunciou-se disposto a concorrer ao governo do Estado. O jogo político o retirou ao natural: o Podemos, seu partido, anunciou apoio a Carlos Moisés. Mesmo assim, as perspectivas eram mínimas, reconheçamos. Tanto ele quanto Rodrigues e Salvaro teriam que renunciar ao mandato de prefeitos e deixar na metade. Em perdendo, ficariam num limbo de dois anos sem mandato e sem poder. Um interregno perigoso para quem pretende se sustentar politicamente, porque as forças se dispõe no circuito com muita velocidade. E dois anos, neste caso, é muito tempo para ficar de pé sem mandato.

E nenhum deles, ex-prefeitos, por força de lei, poderiam se candidatar novamente ao mesmo cargo em 2024. Só a vice ou a vereador.

- Luciano Hang fez uma performance ruim: um nome reconhecido como eleitoralmente bom, acabou por se esvaziar através de sua própria estratégia. Deu a entender, com a sua desistência final anunciada de forma espetaculosa e mercadológica em excesso, que não iria candidatar-se. Difícil abandonar suas atividades empresariais de alto porte. As empresas dependem muito da presença dele a todo momento, apesar da portentosa estrutura administrativa. Perderia tempo tentando combater moinhos em Brasília. Perdeu pontos e credibilidade - por exagerar nas jogadas de vai-e-vém. Foi demasiado.

Isso tudo nos conduz a uma realidade: política é para poucos. E quem a exercita produzindo meras fantasias e colocando em jogo sua própria personalidade põe à mostra suas fragilidades ou fortalezas. E isso causa consequências. Algumas irreversíveis.

Pra navegar nessas águas há que ser bom timoneiro.





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