Já começou reação contrária à restrição de tráfego na BR-101 Biguaçu/Palhoça para motos

A Polícia Rodoviária Federal propõe uma ampla discussão futura sobre a retirada do tráfego de motocicletas em trechos da BR-101, entre Biguaçu e Paulo Lopes. Esse tráfego seria somente pelas vias marginais, para reduzir o alto índice de acidentes envolvendo as motocicletas no trecho.

A medida sugerida já provocou reações, como se fosse uma decisão unilateral. Por isso, a polícia rodoviária emitiu uma nota:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A PRF NÃO IRÁ PROIBIR o trânsito de motociclistas na BR101.
Trata-se de um projeto interno, denominado “Mudança de Hábito”, que visa reduzir as mortes envolvendo os motociclistas na BR 101 na Grande Florianópolis.
A PRF esclarece que não haverá nenhum tipo de restrição de trânsito sem um amplo debate com todos os setores da sociedade envolvidos.
Caso a sociedade entenda que o projeto não seja de interesse à segurança de motociclistas, não serão promovidas alterações.

Polícia Rodoviária Federal em Santa Catarina

Ante a reação, dificilmente isso será aplicado. Mas sempre é bom colocar os índices de acidentes envolvendo motocicletas, inclusive com mortes e traumatismos graves.

Desde 2015, num evento do Senai com a Fiesc, já se demonstrava preocupação com as mortes decorrentes do uso de motocicleta. Começou uma campanha, a começar pela Grande Florianópolis, com foco no trecho da BR-101 que abrange Biguaçu, São José, Palhoça e Florianópolis. Iniciativa do Grupo de Trabalho BR-101 do Futuro, liderado pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), e integrado pela Arteris, ANTT, Deinfra, DNIT, Fetrancesc, OAB-SC, Polícia Rodoviária Federal (PRF-SC) e SENGE.

Os números de então eram estes: Em 2015 foram registrados 14.150 acidentes em rodovias federais catarinenses. Desse total, 3.187 foram com motos – sendo 2.725 com feridos leves, 924 com ferimentos graves e 94 mortos. No trecho de aproximadamente 25 quilômetros entre Palhoça, Biguaçu e a Via Expressa em Florianópolis estima-se que a cada mês duas pessoas morrem em acidentes de moto; outras 77 têm ferimentos leves e 19 vítimas ficam gravemente feridas.

A nova iniciativa, portanto, é oportuna. Pois de lá pra cá, com o aumento da frota e a natural intensidade maior do movimento de tráfego, a situação só piorou e nem precisamos de mais números comparativos. Se nada for feito, só vai piorar ainda mais.

Os ultimos dados sobre acidentes existentes são da CNT, de 2019 e relativos a 2018:

Principais dados

  • O Brasil registra 14 mortes nas rodovias federais a cada dia

  • São 82 acidentes com vítimas a cada 100 km de rodovia federal no Brasil

  • As BRs 116 e 101 são as que mais matam no Brasil

  • Colisão é o tipo mais comum de acidentes com vítimas no Brasil

  • Sudeste e Sul concentram os maiores índices de acidentes com vítimas

  • As rodovias do Nordeste são as que mais matam no Brasil

  • Nordeste, Norte e Centro-Oeste registram acidentes mais graves

  • Minas Gerais é campeã em número de mortes e de acidentes nas rodovias federais

  • Minas Gerais também está à frente do ranking de custos com acidente

  • DF registra quatro vezes mais acidentes do que a média nacional

  • Maranhão, Amazonas, Alagoas, Tocantins, e Bahia registram os acidentes mais graves

  • As rodovias do Paraná concentram mais mortes de ciclistas

  • A maior parte das mortes por atropelamento também ocorre no Paraná

  • Nordeste é a região com maior número de mortes de motociclistas

  • Goiás concentra 40% dos acidentes com motos nas rodovias federais do Centro-Oeste

Em Santa Catarina, acidentes com motocicletas estão em segundo lugar, perdendo apenas para os automóveis: 49,2%.

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