INFESTAÇÃO: Camboriú e Navegantes considerados em situação de epidemia de dengue


A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC) divulga o boletim n° 20/2021 sobre a situação da vigilância entomológica do Aedes aegypti e a situação epidemiológica de dengue, febre de chikungunya e zika vírus, com dados até a Semana Epidemiológica (SE) n° 28 (03 de janeiro a 17 de julho de 2021).


No período de 03 de janeiro a 17 de julho de 2021, foram identificados 44.555 focos do mosquito Aedes aegypti em 218 municípios. Comparando ao mesmo período de 2020, quando foram identificados 23.700 focos em 187 municípios, observa-se um aumento de 88% no número de focos detectados.


Em relação à situação entomológica, até a SE nº 28/2021, são 115 municípios considerados infestados.

A definição de infestação é realizada de acordo com a disseminação e manutenção dos focos.


No período de 03 de janeiro a 17 de julho 2021, foram notificados 30.326 casos de dengue em Santa Catarina. Desses, 18.098 (60%) foram confirmados (8.674 pelo critério laboratorial e 9.424 pelo critério clínico epidemiológico), 665 (2%) inconclusivos (classificação utilizada no SINAN para os casos que, após 60 dias da data de notificação, ainda não tiveram sua investigação encerrada), 9.364 (31%) foram descartados por apresentarem resultado negativo para dengue e 2.199 (7%) estão sob investigação pelos municípios.


Do total de casos confirmados até o momento, 17.665 são autóctones (transmissão dentro do estado), 55 casos são importados (transmissão fora do estado) (Tabela 3), 224 casos estão em investigação de LPI e 154 são indeterminados, pois não foi possível definir o LPI.

Foram registrados 141 casos de dengue com sinais de alarme em residentes nos municípios de Joinville (129), Itajaí (07), Navegantes (03), Dona Emma (01) e Santa Helena (01), e nove (09) casos de dengue grave em residentes no município de Joinville (08) e Camboriú (01).

Ocorreram cinco (05) óbitos pela doença: dia 30 de abril, um paciente de 49 anos, dia 1° de maio, um paciente de 79 anos, dia 02 de maio, um paciente de 75 anos, dia 13 de maio, um paciente de 33 anos e dia 24 de maio, um paciente de 49 anos. E um (01) óbito continua em investigação pelo município de Joinville.


Atualmente, o estado de Santa Catarina possui quatro (4) municípios considerados em situação de epidemia. O município de Joinville apresenta o maior número de casos autóctones (15.726) no estado, o que representa praticamente 89% do total no ano de 2021, e a taxa de incidência é de 2.631,3 casos por 100 mil/hab. Além de Joinville, o município de Navegantes também está em epidemia de dengue com 658 casos autóctones e a taxa de incidência de 807,6 casos por 100 mil/hab, o município de Camboriú com 296 casos e a taxa de incidência de 356,7 e o município de Santa Helena com 48 casos autóctones e a taxa de incidência de 2.181,8 casos por 100 mil/hab.


A caracterização de epidemia ocorre pela relação entre o número de casos confirmados e de habitantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o nível de transmissão epidêmico quando a taxa de incidência é maior de 300 casos de dengue por 100 mil habitantes.


ORIENTAÇÕES E INFORMAÇÕES IMPORTANTES


O que é dengue?

Dengue é uma doença infecciosa febril causada por um arbovírus, sendo um dos principais problemas de saúde pública no mundo. Ela é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectado.

A infecção pelo vírus da dengue pode ser assintomática ou sintomática. Quando sintomática, causa uma doença sistêmica e dinâmica de amplo espectro clínico, variando desde formas mais leves (oligossintomáticas) até quadros graves, podendo evoluir para o óbito. Todos os quatro sorotipos do vírus da dengue circulantes no mundo (DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4) causam os mesmos sintomas, não sendo possível distingui-los somente pelo quadro clínico. O termo “dengue hemorrágica” deixou de ser empregado em 2014, quando o Brasil passou a utilizar a nova classificação da doença, que leva em consideração que a dengue é uma doença única, dinâmica e sistêmica. Para efeitos clínicos e epidemiológicos, considera-se a seguinte classificação: dengue, dengue com sinais de alarme e dengue grave.


Sinais e sintomas

Normalmente, a primeira manifestação da dengue é a febre alta (39° a 40° C) de início abrupto, que tem duração de 2 a 7 dias, associada à dor de cabeça, fraqueza, a dores no corpo, nas articulações e no fundo dos olhos. Manchas pelo corpo estão presentes em 50% dos casos, podendo atingir face, tronco, braços e pernas. Perda de apetite, náuseas e vômitos também podem estar presentes.

Com a diminuição da febre, entre o 3º e o 7º dia do início da doença, grande parte dos pacientes recupera-se gradativamente, com melhora do estado geral e retorno do apetite. No entanto, alguns pacientes podem evoluir para a forma grave da doença, caracterizada pelo aparecimento de sinais de alarme, que podem indicar o deterioramento clínico do paciente.


Quadros graves

Sangramentos de mucosas (nariz, gengivas), dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, letargia, sonolência ou irritabilidade, hipotensão e tontura são considerados sinais de alarme. Alguns pacientes podem, ainda, apresentar manifestações neurológicas, como convulsões e irritabilidade.

O choque ocorre quando um volume crítico de plasma (parte líquida do sangue) é perdido através do extravasamento nos vasos sanguíneos, ele se caracteriza por pulso rápido e fraco, diminuição da pressão de pulso, extremidades frias, demora no enchimento capilar, pele pegajosa e agitação. O choque é de curta duração e pode, após terapia apropriada, evoluir para uma recuperação rápida; mas, pode também avançar para o óbito, num período de 12 a 24 horas.

Qualquer pessoa pode desenvolver formas graves de dengue já na primeira infecção, apesar de isso ocorrer com maior frequência entre a 2ª ou 3ª infecção, devido à resposta imune individual. No entanto, crianças, gestantes e idosos, além daqueles em situações especiais (portadores de hipertensão arterial, diabetes mellitus, asma brônquica, alergias, doenças hematológicas ou renais crônicas, doença grave do sistema cardiovascular, doença ácido-péptica ou doença autoimune), têm maior risco de apresentar quadros graves de dengue.

Atenção: na presença de sinais de alarme, o paciente deve retornar imediatamente ao serviço de saúde.

Pessoas que estiveram, nos últimos 14 dias, numa cidade com a presença do Aedes aegypti ou com a transmissão da dengue e apresentarem os sintomas citados devem procurar uma unidade de saúde para o diagnóstico e tratamento adequados.

O que é febre de chikungunya?

É uma infecção viral causada pelo vírus chikungunya, que pode se apresentar sob forma aguda (com sintomas abruptos de febre alta, dor articular intensa, dor de cabeça e dor muscular, podendo ocorrer erupções cutâneas) e evoluir para as fases subaguda (com persistência de dor articular) e crônica (com persistência de dor articular por meses ou anos). O nome da doença deriva de uma expressão usada na Tanzânia que significa "aquele que se curva".

Pessoas que estiveram, nos últimos 14 dias, em cidade com a presença do Aedes aegypti ou com a transmissão da febre de chikungunya e apresentarem os sintomas citados devem procurar uma unidade de saúde para o diagnóstico e tratamento adequados.

O que é zika vírus?

É uma doença causada pelo vírus zika (ZIKAV), transmitido pela picada do mesmo vetor da dengue, o Aedes aegypti, infectado. Pode manifestar-se clinicamente como uma doença febril aguda, com duração de 3 a 7 dias, geralmente sem complicações graves.

Segundo a literatura, mais de 80% das pessoas infectadas não desenvolvem manifestações clínicas. Porém, quando presentes, caracterizam-se pelo surgimento do exantema maculopapular pruriginoso, febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, artralgia, mialgia, edema periarticular e cefaleia. A artralgia pode persistir por aproximadamente um mês.

Orientações para evitar a proliferação do Aedes aegypti:

  • evite usar pratos nos vasos de plantas. Se usá-los, coloque areia até a borda;

  • guarde garrafas com o gargalo virado para baixo;

  • mantenha lixeiras tampadas;

  • deixe os depósitos d’água sempre vedados, sem qualquer abertura, principalmente as caixas d’água;

  • plantas como bromélias devem ser evitadas, pois acumulam água;

  • trate a água da piscina com cloro e limpe-a uma vez por semana;

  • mantenha ralos fechados e desentupidos;

  • lave com escova os potes de comida e de água dos animais no mínimo uma vez por semana;

  • retire a água acumulada em lajes;

  • dê descarga, no mínimo uma vez por semana, em banheiros pouco usados;

  • mantenha fechada a tampa do vaso sanitário;

  • evite acumular entulho, pois ele pode se tornar local de foco do mosquito da dengue;

  • denuncie a existência de possíveis focos de Aedes aegypti para a Secretaria Municipal de Saúde;

  • caso apresente sintomas de dengue, chikungunya ou zika vírus, procure uma unidade de saúde para o atendimento.

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