• Aderbal Machado

Fenômenos climáticos, ocupações, alagamentos e a devastação de áreas urbanas são temas em discussão

As chuvas, que desde dezembro têm castigado os habitantes de onze estados, principalmente os da Bahia e Minas Gerais, provocaram um quadro de devastação que não pode ser explicado apenas pelo volume incomum das precipitações, mesmo para o verão.

Ruas alagadas, casas em escombros, pontes e tubulações destruídas, pessoas sem abrigo, água potável e comida são também o resultado da ocupação desordenada dos espaços urbanos e da transformação de áreas periféricas a qualquer custo.


De acordo com o último levantamento de estados de emergência e de calamidade pública, em função de chuvas intensas, tempestades e tornados, o Brasil acumulou prejuízos de R$ 10,1, bilhões em 2020. O setor de habitação foi o mais afetado, somando perdas de R$ 8,5 bilhões com a destruição ou danos de moradias. Segundo o levantamento, foram 280.486 moradias danificadas ou destruídas. Os prejuízos em obras públicas aparecem logo em seguida, com impacto negativo em bueiros, calçadas, asfaltamento de ruas e avenidas, o que contribuiu para que rombo chegasse a R$ 2,4 bilhões.


O desmatamento e a destruição das matas ciliares em nossos rios, com a chegada de pastagens até as margens nas áreas rurais, por exemplo, fazem com que a velocidade das águas nos leitos se acelerem e não sejam retidas mais a montante desses cursos de água — explica o professor de arquitetura da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) Joel Pereira Felipe.


Quando chegam às cidades, acrescenta o arquiteto, essas torrentes líquidas encontram uma situação de emparedamento dos córregos que são canalizados ou até "tamponados", ou seja, ocultados sob vias de fundo de vale asfaltadas ou cimentadas:

— Isso aumenta mais ainda a velocidade das águas e, combinado à impermeabilização do solo pela pavimentação de ruas, adensamento com edificações, quintais das casas e condomínios com calçadas, em vez de jardins, não permitem a drenagem natural.

Outra questão considerada "grave" pelo professor é o uso desses cursos d'água como “depósito móvel e flutuante de lixo e entulho”:


De acordo com o arquiteto Nilton de Lima Junior, representante de Goiás no Conselho Federal de Arquitetura e Urbanismo (CAU), a ocupação de áreas de preservação ambiental, principalmente as alagáveis, bem como as de encostas, sujeitas a deslizamentos, são possivelmente os grandes responsáveis pelo quadro verificado na Bahia, mas escondem “problemas maiores”. Um deles é o descaso do poder público em coibir essas ocupações e, ao mesmo tempo, fornecer alternativas de moradia.


Urbanistas dizem que se há uma barreira que deve ser transposta rumo à reestruturação urbanística das cidades brasileiras é a do adensamento. Não se trata, evidentemente de atulhar o maior número de pessoas possível dentro do menor espaço à disposição de gestores públicos e empreendedores privados. Adensar, resguardados os melhores princípios do urbanismo e da arquitetura, é fazer um aproveitamento racional do solo, permitindo a um grupo grande de pessoas morar de maneira digna e confortável, do ponto de vista do projeto arquitetônico, com acesso fácil a serviços públicos e privados. Além disso, é necessário haver por perto outros núcleos residenciais e comerciais, tornando a cidade viva, integrada e dinâmica, mas com respeito ao meio ambiente e às regras relativas à segurança e ao sossego.


Cabe diretamente aos gestores municipais o planejamento que una todas essas necessidades e exigências, com base em critérios técnicos fornecidos por urbanistas, arquitetos e profissionais de transporte, saúde, meio ambiente, entre outras. Métrica divulgada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mostra que a sustentabilidade dessas unidades da federação, expressa pelo índice 0,5, é considerada baixa em termos gerais, numa escala de 0 a 1. Quando se fala em meio ambiente, o Índice de Desenvolvimento Municipal Sustentável (IDMS) cai para 0,355.


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