• Aderbal Machado

Falar de Bolsonaro, sob qualquer ângulo, é quase proposta de briga


Citações do presidente Bolsonaro, independente de momento, causa, concordância ou discordância, sempre oferecem uma chama de debates acirrados, invariavelmente entremeados de xingamentos, objeções e teses sem o menor sentido e, verdade, algumas até razoáveis, embora esbarrando frontalmente nas lógicas ideológicas dos partidos e das pessoas. Dificil integrar um grupo ou entrar numa polêmica sobre o presidente apenas interpretando suas posturas. Quando não se é "reacionário", "extrema direita" ou "negacionista", passando pelos tradicionais "fascista", "nazista" e "gado" se é, no correspondente do outro lado (esquerda) "comunista", "petralha" ou "baderneiro". Quase proposta de briga. Ah, sim, e tem o "isentão", que não fede e nem cheira. Como o voto em branco: vale, mas não decide nada.


As posições se extremam no julgamento tácito de cada um sobre os outros. desde que haja discrepância de pensamentos e objetivos.


De vez em quando, como agora na eleição para as presidências do Senado e da Câmara, todos esses radicalismos somem, superados pelo pragmatismo político - quando inimigos de ontem se unem momentaneamente, conflitando seus próprios princípios e de seus partidos, alardeados em campanha eleitoral ou todos os dias, ao enunciar propósitos nas mídias sociais. Uma hipocrisia consagrada. Uma insensatez. No entanto, logo esquecidas nas refregas seguintes e até na cabeça do eleitor. Isto é recorrente, de governo a governo, de eleição a eleição. Joga-se no lixo o sentido do voto.


Por exemplo: para a esquerda vale tudo para derrotar Bolsonaro, até se unir ao que de pior tem no reacionarismo de raiz - como o DEM de Maia e Alcolumbre. Para a direita ou para o governo, fugindo também aos seus princípios, valem acordos espúrios com elementos inconfiáveis até aqui, desde que derrote a oposição, especialmente PT, Maia e Alcolumbre. A guerra é fratricida e cruenta.


Por mim, fujo tanto quanto possível dos embates sem noção. Quando as coisas fervem demais e o respeito some do debate, elimino os interlocutores sumariamente, por bloqueio direto e permanente. Porque debater tudo bem, concordando ou discordando, mas há que se ter um mínimo de fundamento, de análise séria - embora forte e contrária - e de opinião sem a forma raivosa.


Menos mal que entre meus seguidores há muita gente de esquerda e de direita, radicais até, que me incomodam um monte, com quem confronto direto, mas que, ao mesmo tempo, mantém o nivel lá em cima. Isto é democrático, embora às vezes, como disse, me encham as medidas. E é assim, porque se não fosse eu fugiria de minhas páginas, as eliminaria simplesmente e iria vender laranjas na beira da praia. Como dizia Vicente Matheus, o folclórico e inigualável presidente do Corinthians Paulista: quem tá na chuva é pra se queimar.


Abraço de um belo ano pela frente, com muita proteção divina. Ora pro nobis.

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