• Aderbal Machado

Fabrício e Carlos Humberto: um dilema político-eleitoral com várias facetas para 2022


Aliados de duas eleições consecutivas, como candidatos a prefeito e vice, Fabrício Oliveira e Carlos Humberto viverão situação inusitada político-eleitoral em 2022, além até, quem sabe, das suas próprias intenções e até de suas próprias convicções.


A disputa, para ambos, será configurada nas definições pessoal, ideológica, partidária e política. E em todas elas, seja para a escolha do presidente da República, do governador do Estado e do representante à Assembleia Legislativa, haverá um conflito de consciência e uma reconfiguração de sua convivência no mandato até aqui; dois mandatos exercidos, bem verdade, com lealdade recíproca, apoio irrestrito e objetivos idênticos. Diferenças de meios na busca finalística de algumas questões (como o episódio da eleição para a Mesa da Câmara), sabe-se que as há; noutras não, como as obras e serviços fundamentais da administração, em que ambos se ombreiam no apoio, na defesa e na consecução, em harmonia perfeita.


Mas, chegada a eleição e mantidas as atuais circunstâncias, eclodirá a situação definitiva, contida nessas situações:


1. Terão candidatos opostos na eleição presidencial: Jair Bolsonaro pelo PL, partido de Carlos Humberto e Sérgio Moro pelo Podemos, partido do prefeito Fabrício Oliveira. Medirão forças pelo voto na cidade.


2. Na eleição ao governo do Estado, Carlos Humberto terá na disputa o presidente e líder principal do seu partido em SC, o senador Jorginho Mello, a quem assegurou e assegura em todas as ocasiões oferecidas, apoio incondicional. E o próprio Fabrício, já demonstrando disposição de disputar, se o for, concorrerá, claro, pelo Podemos. Um drama e tanto. O drama se desfaz se Fabrício não for candidato.


3. Pré-candidato já lançado, Carlos Humberto disputará a eleição para a Assembleia, hipótese afastada apenas no caso de desincompatibilização de Fabrício para ser candidato ao governo do Estado, quando, neste caso, Carlos Humberto preferirá assumir a prefeitura por dois anos (e isto já em abril, daqui a cinco meses – passa muito rápido). Se Carlos concorrer à Assembleia, Fabrício terá que decidir pelo apoio a ele ou a um nome do seu partido na cidade. Apoio, não apenas voto. Um drama e tanto.


4. Ainda que essas situações não influenciem e nem interfiram na relação entre ambos, outra realidade se afigura lá na frente: em 2024, sendo deputado, prefeito ou vice, Carlos Humberto disputará o governo municipal, eis que o tempo de Fabrício estará encerrado por força de lei. E então o ciclo se repete e as dúvidas também, dependendo, claro, do quadro formado na época – principalmente em relação a eventuais coligações. O tempo dirá.

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