Este é um momento de reviver as boas lutas da cidade e propor direções fortes


No curso dos meus 23 anos de Balneário Camboriú como seu filho adotivo, vivi e participei de demandas importantes, como a implantação da UDESC, junto com tantos, como Hélvion Ribeiro e Leandro Índio da Silva. Estive no foco de todas as discussões e passagens da cidade no curso do seu desenvolvimento, opinando, sugerindo, enaltecendo ou até criticando, sem nunca macular a honra de ninguém. Críticas republicanas, embora muitas vezes até enérgicas. Bem no jogo democrático e sempre na direção do bem e do melhor.

Assisti a importantes realizações e me consumi, em alguns momentos, pelo pessimismo, por causa de modus operandi em algumas ocasiões, em demandas que, apesar de sua densidade, resultaram em nada. A mim me pareceu um erro de estratégia, sempre. Discutiu-se muito, em certos momentos, sem entrar na consumação prática das ideias ou sem utilizar a necessária e fundamental pressão política direta.

Assim é com o Hospital Ruth Cardoso, funcionando há mais de 11 anos e até hoje sem ajuda substancial do governo do Estado, em sinais de desprezo sistemático ao longo de todos os governos. Assim é com o Centro de Eventos, discutido por 10 anos, construído em outros 10 e ainda desocupado. Neste particular, meu pessimismo vai além: acho que terão que rever sua utilização, para não perder o investimento. Gostaria muito de ser desmentido, mas acho difícil. Não será fácil cobrir seu custo fixo de cerca de R$ 400 mil, mais ou menos, e ainda gerar lucro a quem assumi-lo. Se for o poder público, tanto municipal quanto estadual, pode esquecer.

Finalmente, só para ficar nesses quesitos por enquanto, o efetivo policial militar. Em 14 anos, perdemos praticamente 80 PMs no efetivo. Tínhamos 201 em 2006. Apesar dos esforços e da qualidade tecnológica do sistema policial, é negativo este aspecto. O berreiro de exigir mais PMs teve efeito contrário. Nem quando tivemos um governador lá em Florianópolis resolveu: em 2010 perdemos 23 PMs do efetivo.

Por isto creio, sinceramente, que só gritar episodicamente não resolve; só mandar ofícios e fazer protestos nas ruas um dia ou outro (e quando há crimes violentos na cidade) não resolve. Precisamos de ações continuadas, incessantes, enérgicas lá em cima. Porrada na mesa mesmo. Muito foco. A isto tudo há que se ter os poderes harmônicos no mesmo objetivo - sem um querendo desmerecer o outro e querer se adonar dos objetivos.

Posso estar errado? Posso. É uma possibilidade e por isto defendo a discussão continuada, justamente para depurar os fatos e torná-los palatáveis e efetivos na consecussão das metas pretendidas.

Na próxima vez falarei do que penso sobre alargamento da orla da Praia Central.

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