• Aderbal Machado

Entre ser vidraça e pedra...


Sempre é mais confortável e descompromissado opor-se, politicamente. Tanto estando no poder ou fora dele. A diferença de dimensão está no fato de que, quem está no poder precisa mostrar realidade prática de sua capacidade e multiplicar realizações. Que sempre serão poucas na visão de quem se opõe. Ou ruins. Ou insuficientes. Isto sem discutir se realmente a obra ou serviço superou expectativas ou não. E também porque quem exerce o poder é mais vulnerável a falhas grandes e pequenas. Oposição fora do poder nada precisa fazer, apenas dar exemplos e apresentar alternativas, exequíveis ou não. Importa é a narrativa e seu eco no meio popular.

Fácil exigir mais serviços na saúde, na educação, na segurança, na assistência social, na mobillidade urbana, no saneamento, no meio ambiente, no turismo, na cultura, no lazer, na fiscalização e tudo o mais. Certo que muitos gestores são muito ruins nisso tudo e outros até se saem bem, mas todos lidam com os limites orçamentários, que são fatais. Sem contar a cruel burocracia legal. Sim, também é verdade que muitos gestores acomodam lá dentro do poder seus apaniquados e pouco se importam de onde vem o dinheiro para pagá-los, desde que recebam e, com isso, encurtam as possibilidade do erário para coisas mais vitais à comunidade. E também é verdade que há os conflitos causados pelos jogos de interesses de dentro e de fora do poder, querendo espaços, nacos e amplitudes para ganhar mais e melhor. Coisa que, convenhamos, a oposição também viverá se e quando chegar ao poder. Disse alguém: "nada mais parecido com um conservador do que um esquerdista no poder". Não é bem uma questão ideológica que estamos supondo, mas se pode usar como exemplo, parafraseando: "nada igual a um situacionista do que um oposicionista no poder".

É a diferença entre ser vidraça e pedra, no carcomido jargão popular.

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