• Aderbal Machado

Enquanto dá verba para rodovias federais, Santa Catarina abandona rodovias estaduais


Novo estudo da Federação das Indústrias (FIESC) analisou a situação de 1.265 km de rodovias estaduais nas regiões Oeste, Extremo-Oeste e Contestado. No Oeste e Extremo-Oeste foram avaliadas as SCs 155, 480, 305, 160, 161, 163, 386, 283 e 154. No Contestado foram analisadas as SCs 350, 135, 150, 355, 465, 464, 452 e 120.


O estudo mostra que em muitos trechos a qualidade da manutenção e as intervenções paliativas, como as operações tapa-buracos, já não atendem às necessidades de preservação das estradas. Elas precisam de investimentos mais robustos - especialmente nas restaurações de pavimento e a realização de obras de artes especiais. O trabalho foi apresentado em reunião virtual conjunta da Câmara de Transporte e Logística da FIESC e do Conselho Estratégico de Infraestrutura de Transporte, nesta quarta-feira, dia 7.

O secretário-executivo da Câmara de Transporte e Logística da FIESC, Egídio Martorano, que apresentou os resultados do estudo, destacou que a situação das rodovias prejudica a competitividade das empresas instaladas nas regiões analisadas. “Selecionamos as rodovias estratégicas ligadas à produção e à conexão com os principais corredores rodoviários e com os principais mercados”, disse.

O estudo, realizado pelo engenheiro Ricardo Saporiti, mostra que há trechos com pavimento trincado, desagregado, pista com afundamento e recalque, buracos, deslocamento de microrrevestimento no asfalto, entre outros problemas. Há muitos segmentos que precisam de reforço de base, fresagem da capa asfáltica, microrrevestimento, recuperação de obras de artes especiais (como pontes, por exemplo) e melhora na sinalização. O estudo traz um recorte dos trechos em que a situação é mais crítica e demanda uma ação urgente.


Confira abaixo:


SC- 283: Concórdia/ Arabutã/ Seara/ Arvoredo/ Chapecó

SC- 283: Águas da Prata/ Palmitos/ Caibi/ Riqueza

SC- 305: Campo- Erê/ São Lourenço do Oeste

SC- 155: Xavantina/ Seara

SC- 155: Abelardo Luz/ Divisa com o PR

SC- 480: Contorno de Xanxerê até Bom Jesus

SC- 161: Anchieta/ Palma Sola/ Divisa PR

SC- 160: Bom Jesus do Oeste/ Serra Alta/ Modelo/ BR-282

SC- 163: Descanso/ Iporã do Oeste (necessitando 3ª faixa)

SC- 452: Monte Carlo/ Liberata

SC- 120: Lebon Régis/ Marombas/ Curitibanos

SC- 350: Santa Cecília/ Lebon Régis e Caçador/ Taquara Verde/ BR-153/SC

SC- 135: São Miguel da Serra/ Matos Costa/ Calmon/ Caçador

SC- 465: Macieira/ Rodovia SC-350 (Taquara Verde)

SC- 150: Herciliópolis (BR-153) / Água Doce


O secretário de Infraestrutura e Mobilidade, Thiago Vieira, explicou que há o Programa Novos Rumos, do governo, que está em andamento e prevê a execução de obras em muitos trechos. No entanto, ele salientou que há diversas rodovias que têm 30 anos de pavimentação e que para melhorar precisam de restauração completa, medida que exige projeto. “É um fato que obras de engenharia têm etapas a serem vencidas”, disse ele, ressaltando que o governo tem planejamento na área e está realizando obras.


Manutenção

O estudo da FIESC destaca ainda que é necessário investir cerca de R$ 210 milhões por ano para manter a malha estadual. Esse valor representa 1% do patrimônio rodoviário catarinense, avaliado em R$ 21 bilhões. Santa Catarina tem cerca de seis mil km de rodovias estaduais. Em meados de junho, o governo catarinense informou que investiu R$ 93 milhões na recuperação e restauração de rodovias estaduais, desde o início da atual gestão. O valor é de aproximadamente R$ 37,2 milhões por ano, muito aquém do ideal recomendado.


Estudos realizados pelo Instituto de Pesquisas Rodoviárias (IPR) e pelo DNIT apontam que o mau estado de conservação da rede viária resulta em até 58% de acréscimo do consumo de combustível, 40% de aumento no custo operacional dos veículos (como pneus e parte mecânica), 50% na elevação do índice de acidentes e 100% de acréscimo no tempo de viagem. Publicações técnicas internacionais apontam que para cada US$ 1 não aplicado em manutenção corretiva e conservação da rodovia, são necessárias a aplicação de US$ 3 a US$ 4 na restauração.


Contorno de Florianópolis

Ainda na reunião, o engenheiro da Arteris, Marcelo Módolo, apresentou detalhes do andamento das obras do Contorno Viário de Florianópolis, que hoje tem 2,8 mil profissionais trabalhando.


Segundo ele, o compromisso é finalizar o Contorno até o final de 2023. O diretor de operações da Arteris, Antonio Cesar Sass, apresentou outras obras que estão em andamento no trecho norte da BR-101, como a execução da terceira-faixa em Palhoça, com previsão de entrega para meados de setembro, e a ponte norte sobre o rio Balneário Camboriú, entregue no final de junho. Agora estão em andamento as obras de construção da ponte sobre o rio Camboriú Sul (Marginal Oeste), previstas para terminar em julho de 2022.

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