Eleições de 2022: o grande fator será a pandemia, com ingredientes falsos e verdadeiros


A 19 meses da eleição de renovação de Câmara, governo estadual, Assembleias, Senado e Presidência da República, os pauzinhos começam a se movimentar na busca - ainda modesta - de coligações e convencimentos.

Sim, 19 meses passam rápido e a campanha está logo ali. Portanto, nada mais natural do que os partidos e pretensos candidatos comecem a caitituar votos, apoios e simpatias.

A discussão, neste momento, é sobre nomes. Ninguém espere o fenômeno de 2018. Ele não acontecerá. Haverá, como lá, os vinculados a Bolsonaro e as oposições. Sem, todavia, o mesmo potencial de Bolsonaro sobre os seus parceiros estaduais, sequer federais. O seu potencial, a meu ver, só valerá para ele. Acabaram-se a festa e a euforia daquela eleição.

Em compensação, as oposições estão esfrangalhadas em mil pedaços, perdidas num cipoal de contradições, entrechoques, egolatrias e visões pouco práticas das suas possibilidades.

Isso fica pior ainda ao sabermos que, no andar da carruagem, preocupados em malhar Bolsonaro, esqueceram de formatar suas próprias lides. De tal modo que o nome principal, virou e mexeu, continuou sendo Lula. E aí cabe uma análise simplória: Lula tem o enorme desgaste de sua trajetória pós-mandato - dele e de Dilma, portanto do PT. Se conseguir uma candidatura, será a sexta. E essa bananeira que já deu cacho, como dizia nona Candinha, persegue teimosamente a ilusão de ser o grande catalizador de votos da esquerda. Sabemos que não é. Mas o pior é que a esquerda não tem um grande catalizador de votos. Tem vários, todos medíocres. E - repetindo - pior ainda: veteranos derrotados de várias eleições. Ou seja: nem se renovar souberam. Nem se organizar souberam. Nem uma linha ideológica definida possuem. Nem um plano, exceto o de ser oposição por oposição e chamar o presidente de fascista e negacionista.

Neste ponto, uma observação: estranho que o PT, principalmente ele, tanto lastimou uma decantada injustiça contra Dilma, mas não a quer disputando. Por que não? Ciro Gomes, com sua verbosidade habitual, instiga Lula a desistir e, eivado de humildade, aceitar uma vice-presidência, como o fez Christina Kirchner na Argentina. Certamente dele mesmo, Ciro, é claro. E finalmente tem o Haddad - o poste do Lula - para ser jogado às feras de novo. Nossa intuição diz que isso jamais acontecerá. Nem ele e nem Ciro vão ter o gosto de verem suas teorias frutificarem. Lula preferirá destruir o PT do que não ser candidato. A humildade dele não ultrapassa o sentimento da lógica da política que ele prega, mas não pratica. O Lula é o Luiz XIV do PT.

Pois é. E Bolsonaro? Ele é a pedra no sapato. O obstáculo a ser removido. E está aí. Sob fogo cerrado e em pé. É candidatíssimo à reeleição. Dificilmente algum candidato - nem ele mesmo - vencerá num primeiro turno. Nem Lula, no seu auge, conseguiu isso em nenhuma das vezes em que concorreu e nem Dilma o conseguiu. E, como dizem os teóricos da política, segundo turno é outra eleição. E é mesmo. Muda tudo. E então se verá com quantos paus se faz uma canoa.

Atentando-se para um detalhe: os grandes eleitores não serão política econômica, planos de governo, relações internacionais, obras, promessas ou favores. Será a pandemia. Com ingredientes falsos e verdadeiros.

LogomarcaMin2cm.jpg