• Aderbal Machado

Eleição não perdoa: candidatos demais, eleitos de menos, num exercício autofágico da região

Por aqui, considerando-se a maior concentração eleitoral da Amfri (Balneário Camboriú, Camboriú, Itajaí e Itapema), há mais de 10 pré-candidatos à Assembleia e quase outro tanto de postulantes à Câmara Federal. Com esses dados, é sensato imaginar: outra vez haverá dificuldades. Poderá chegar quem for mais prestigiado e prestigioso em toda a região e noutras paragens e/ou pela qualidade da campanha. Como fazem, aliás, aqueles que, recebendo os votos de suas regiões de influência principal, buscam votos aqui - e conseguem. A má notícia é que, novamente, poderemos - se tudo correr muito bem e dadas estas circunstâncias - eleger no máximo dois, de novo. Ou menos.


Relembrando: a Amfri tem mais eleitores que duas microrregiões do sul - Criciúma e Araranguá. Aqui, 11 municípios. Lá, 27 municípios. Cá, praticamente temos dois representantes na Assembleia possíveis de serem considerados "de raiz": Coronel Mocelin e Paulinha. Só. Federal, zero. Já o sul tem oito estaduais e quatro federais. No entanto, vejam só, o sul tem, nesta eleição, segundo a imprensa de lá, 28 pré-candidatos à Assembleia Legislativa. E teme diluir votos, elegendo uma representação menor em 2022.


O fenômeno de elegermos menos aqui e mais lá, inobstante termos mais eleitores, é a natureza do voto ou do eleitor: aqui há uma dispersão causada pelo fenômeno migratório. Há muita gente nascidos em vários estados e cidades e eles priorizam os votos nos seus amigos ou onde ainda moram seus parentes. No sul é diferente: a migração é muito menor e o eleitor de lá vota por sentimento telúrico mesmo. Eleitor com raízes.


Estas lições são facilmente mostradas pela realidade dura. E terrivelmente esquecidas e desaprendidas ao longo dos tempos. Continuamos na marcha lenta dos egos e do esquema fratricida. Porque muitos se candidatam mesmo sabendo da quase impossibilidade de chegarem, mas lhes é suficiente saberem que poderão impedir, pela dispersão de votos, a eleição do "inimigo", seja ele quem for. E a região que se dane. Autofagia pura.

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