Eleição das Mesas de Senado e Câmara: jogo pesado e Bolsonaro sabe jogar, para azar dos adversários


Escrevo na manhã desta segunda, 1 de fevereiro, antes da eleição das Mesas da Assembleia, Senado e Câmara Federal.

São apenas conceituações pelo andar da carruagem. Na Assembleia inexiste qualquer conflito. Sabe-se apenas que Julio Garcia tá fora, por razões conhecidas.

No Senado e na Câmara a tendência se cristaliza e vencerão os candidatos da simpatia de Jair Bolsonaro, queiram ou não os (por assim dizer) "negacionistas", palavra muito na moda para mostrar discordância ou antipatia.

O significado disso vem emergindo de discussões conceituais de política. Num primeiro plano, sugere-se a entrega do governo de Bolsonaro a uma pauta por ele rejeitada como plataforma de campanha. Na realidade, é pragmatismo. Ou faz isso ou morre na praia. Sobre estar se "entregando" ao Centrão e abrindo espaços na administração, nada mais simples de definir - é apenas a garantia de não perder, pecado mortal de qualquer embate político-eleitoral.

Collor quis bancar o machão e se ferrou. Lula, ante o petrolão, quase foi, mas se submeteu ao jogo e ficou oito anos, incólume. Dilma igualmente endureceu o queixo e também se foi. FHC só não foi por igual razão: entregou os aneis para não perder os dedos.

Bolsonaro joga o jogo dos adversários: testa é canela. Ou, como diria meu amigo Romancini, cujo bolicho no Balneário Rincão (sul do Estado) é famoso, zagueiraço dos tempos do time da Rádio Eldorado lá na década de 70, cara forte e decidido, quando questionei a dureza com que atuava: "Na área mando eu. Se passa bola, não passa boleiro. Se passa boleiro, não passa bola". Como Bolsonaro conhece a Casa Legislativa em que esteve por 28 anos, ingênuo não é. Sabe onde pisa. O admirável nisso tudo é Maia ter se perdido tanto, após quatro anos de gestão presidencial na Câmara. Conseguiu o impossível - a execração do seu próprio partido, o DEM, que o chutou sem dó. A caneta esvaziou e entrou no inferno astral - que durará para sempre, pois ele voltará à planície da insignificância do Plenário.

Sei lá se isso mudará alguma coisa. Parece, pelo menos, que não será o mesmo cenário de retaliações infantis, até.

Ha quem condene esse jogo na eleição das duas casas do Congresso como algo inusitado. Nada: isto é velho. Desde sempre. Aquilo lá é um paiol de escorpiões. Nada se decide por ideais, programas partidários ou projetos de interesse popular. O corporativismo é monstruoso. E quando o objetivo é o poder, como sempre é, nem adianta esperar sanidades, coerências e/ou lógicas.

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