Duas provadas realidades eleitorais: bolsonarismo não é um mito e o PT se esfarelou nesta eleição


De cara vamos admitir duas realidades eleitorais e políticas: bolsonarismo não passa dele, inexiste como força estrutural ou como mito. Por isso candidatos inspirados nessa falsa premissa se perderam e foram derrotados. Em SC, uma das maiores vozes do bolsonarismo dito e decantado é Dileta Silva, de Balneário Camboriú. Foi candidata à Câmara Federal e recebeu uma bela votação em 2018 (22.099 votos). Só na cidade praiana, 3.698 votos. Nesta eleição concorreu como vereadora e imaginou, quem sabe, repetir a façanha usando claramente a tarja bolsonarista. O resultado foram meros 295 votos (comparativamente aos votos como candidata à Câmara), uma terceira suplência do Republicanos, que elegeu Alessandro Kuehne com 606 votos.

Noutras cidades, idem. Em Criciúma, Júlia Zanatta, declaradamente bolsonarista, deu vexame total, mas aí se junta também a sua qualificação como candidata e política. Desde o inicio se sabia ser muito ruim neste quesito. O resultado comprovou: 6.953 votos. E se pode considerar até uma boa votação, considerando-se que o deputado Rodrigo Minotto, candidato do PDT obteve menos: 4.195. Perdeu também para um novato: Aníba Dário, do MDB, com 10.707 votos. Supremacia inglória. Em Criciúma o resultado final era prevista: um banho de Clésio Salvaro (PSDB), com seus 71.615 votos, mais de 72% do total. Carta manjada. Se enganou quem quis.

Mas o PT, ah, o PT. Este, pela primeira vez na história desde a redemocratização, em 1985 (35 anos), deixou de eleger prefeitos em capitais. E das 15 prefeituras que disputou no segundo turno, perdeu em onze. E onde Lula apoiou direta e pessoalmente, perdeu a esquerda como símbolo político, casos de Porto Alegre, São Paulo e Recife. O desgaste é evidente e brutal

A eleição terá reflexos em 2022, pero no mucho. Até lá muita água correrá por sob a ponte. Em 2022, Bolsonaro continuará Bolsonaro, com seu viés contraditório, atraindo para si todos os tipos de retaliações da esquerda festiva e da esquerda odiosa. Terá que exorcizar seus demônios, mas ainda é - e será lá - o adversário com cuja força a esquerda terá que lutar para reocupar seu lugar. Mas será sem o mito Lula e sem o PT, espatifados nesta eleição.

Esta análise não é uma definição definitiva, como aliás nenhuma é, dadas as naturais alterações constantes do jogo enquanto a carruagem anda. É só uma avaliação do momento e uma projeção despretensiosa do futuro.


A propósito, rememoremos a história. Em 19 de abril de 2018, quando Bolsonaro ainda disputava a candidatura à presidência, fiz este comentário. Ouça se tiver paciência e veja algumas premonições da época:


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