Deputados estaduais de SC vivem tarde de debate sobre os méritos da prisão de Zé Trovão

Por maioria de votos, o Plenário da Assembleia Legislativa de SC rejeitou a Moção 838/2021, do deputado Rudinei Floriano (PSL), apelando ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) pela revogação da prisão preventiva de Marcos Antônio Pereira Gomes, conhecido como caminhoneiro Zé Trovão. O pedido recebeu 14 votos contrários e oito favoráveis, além de duas abstenções. Pelos números, estavam presentes apenas 24, incluindo o presidente. Pouco mais da metade.

No entanto, por maioria de votos, foi aprovada moção de teor semelhante, do mesmo autor, apelando pela soltura do professor catarinense Márcio Giovani Nique, preso a pedido de ministro do Supremo por tê-lo ameaçado durante uma live.

A moção relacionada a Zé Trovão foi alvo de manifestação dos deputados. Fabiano da Luz (PT) afirmou que o pedido é uma interferência no STF. “Um rapaz que não tem caminhão, que organização uma manifestação, foi para o México, criou toda uma confusão e agora não quer assumir suas responsabilidades.”

Paulinha (sem partido) afirmou que não compete à Alesc esse tipo de apelo. “Pode partir de uma moção individual do parlamentar”, disse. Valdir Cobalchini (MDB) também criticou o uso do nome da Assembleia em um pedido ao STF. “Completamente descabido.”

José Milton Scheffer (PP) afirmou que a moção não é o melhor caminho para se reverter o pedido de prisão. “Não vou entrar no mérito da prisão, mas decisão judicial a gente acata e faz a defesa no foro que é o STF. Não cabe à Assembleia deliberar sobre isso.”

Jessé Lopes (PSL), que votou favorável à moção, afirmou que é um direito do parlamentar apresentar o apelo. “A moção não vai causar problemas, não vai interferir em outro poder”, afirmou. “Quando eu não sou a favor, voto contra.”

Jair Miotto (PSC) também reconheceu a legitimidade do pedido de Floriano. “Esse Parlamento é para isso, para que cada um possa se posicionar. Não estamos interferindo em poder nenhum, estamos apenas apelando para o Judiciário rever uma decisão”, declarou o deputado, que prestou solidariedade a Zé Trovão. Silvio Dreveck (PP) se absteve da votação por não conhecer o teor do mandado de prisão contra Zé Trovão. Já Ana Campagnolo (PSL) recordou que, em 2017, a Alesc aprovou uma moção contra ela referente ao processo judicial que moveu contra uma professora da Udesc.

“Votaram contra mim sem tomar conhecimento do processo, que não tinha transitado em julgado”, disse. Sobre a moção referente ao caminhoneiro, Ana questionou: “todos os poderes podem apelar ao demais, ou não há diálogo entre os poderes?”

Luciane Carminatti (PT) afirmou que a Assembleia tem questões mais importantes para discutir. “Temos um estado em que está crescendo a pobreza, a miséria, 100 mil pessoas na fila do SUS”, declarou. “Quando o Lula foi preso, muita gente aplaudiu o STF. São os mesmos que estão criticando o STF agora.”

Sargento Lima (PL) defendeu o direito do deputado em apresentar a moção de apelo. “Ele representa uma parcela de catarinenses que defendem que o deputado faça esse apelo.” Já Moacir Sopelsa (MDB) disse que as atitudes de Zé Trovão poderiam prejudicar aos agricultores, caso as rodovias fossem bloqueadas.

Dr. Vicente Caropreso (PSDB) também alertou para as consequências das atitudes do caminhoneiro. “Foram dias de tensão, de muita preocupação, sem gasolina, sem oxigênio”, comentou. “Não se pode brincar com a relativização da democracia.”

Mauricio Eskudlark (PL) criticou Zé Trovão. “Ele aproveitou a marola das redes sociais, fez barulho, acha que está no direito de dizer o que quiser e que não tem que responder por isso.”

LogomarcaMin2cm.jpg