• Aderbal Machado

Deputados estaduais admitem lockdown, mas com desconto dos dias parados de servidores públicos

(A saber se o desconto dos salários incluem os deles, deputados)

A discussão sobre adotar ou não lockdown continuou na Assembleia Legislativa na sessão de quarta-feira (10), com parlamentares sugerindo que as entidades públicas que defendem o fechamento total deveriam descontar os dias parados do salário dos seus servidores.

O líder do governo, José Milton Scheffer (PP), fez um resumo das medidas adotadas pelo Executivo: prorrogação do atual decreto até 19 de março, com lockdown no sábado (13) e domingo (14); proibição do consumo de bebidas em ambientes comerciais e públicos a partir das 21 horas em todos os dias da semana e campanha publicitária agressiva para conscientizar sobre os cuidados para evitar a contaminação.

“São dois esforços: aumentar o distanciamento social e proibir festas e eventos, mesmo que particulares, a partir das 21 horas todos os dias de semana”, reforçou o líder, acrescentando que o epicentro da pandemia está localizado nos três estados do Sul. “Temos de ter consciência disso”.

Paulinha (PDT) elogiou a decisão do Executivo e juntamente com Kennedy Nunes (PSD) e Bruno Souza (Novo) relativizou a importância do lockdown, utilizado em larga escala em boa parte do planeta, em especial na China, país que logrou conter a transmissão comunitária do vírus e a debacle econômica.

“O lockdown não vai salvar vidas e fechar o comércio pune apenas o microempreendedor individual”, avaliou Paulinha, que sugeriu a ampliação do horário de funcionamento das lotéricas. “Aos sábados são instrumento do mais pobre para receber o bolsa-família”.

“As entidades públicas que pedem lockdown de 14 dias deveriam descontar na totalidade os dias parados dos salários de todos os servidores. O governo decretou, desconta o dia do salário! Está muito fácil para entidades públicas pedir lockdown, tendo ou não tendo, o dinheiro entra a mesma coisa”, criticou Kennedy, que responsabilizou as baladas pela alta na contaminação.

“O estado arrecadou R$ 3 bi em janeiro, entretanto no ano passado inteiro somente destinou R$ 54 mi para linha de crédito aos pequenos empreendedores. Enquanto isso, temos órgãos públicos propondo lockdown. Que façam sua parte, não sejam imunes (à crise), abram mão de parte da sua receita, mostrem que estão dispostos a compartilhar da crise, de abrir mão do salário durante o tempo que estiver parado”, concordou Bruno.

Já Luciane Carminatti (PT) e Moacir Sopelsa (MDB) ponderaram a eficiência do lockdown na redução do número de casos e, por conseguinte, de internações em leitos clínicos e de UTI.

“Em Chapecó a redução foi de 5.555 casos para 2.779”, informou Carminatti.

“O prefeito de Chapecó abriu tudo no primeiro momento, daí agravou cada vez mais os contaminados; fechou e diminuíram os números. Não podemos ser da extrema de um lado ou de outro, os municípios que tiveram a perda de uma só pessoa, dá um tratamento, mas em Concórdia nosso hospital está cheio, não tem mais lugar. Não podemos estancar a economia, mas não podemos deixar que a doença tome conta e não se tenha onde tratar as pessoas, a quantia contaminada é tamanha que você não consegue oferecer oportunidade de tratamento”, pontuou Sopelsa.

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