Definições necessárias para a cidade: prevenindo um travamento futuro

Balneário Camboriú precisa definir e implementar novas matrizes econômicas com urgência. Antes que a bolha da construção civil estoure. Chegará um momento que não haverá mais espaços adequados, a não ser que se altere o gabarito dos bairros, mas aí vamos levar a um patamar crítico o saneamento, a mobilidade, a educação, a saúde, o emprego. E não teremos solução ou ela será muito difícil, porque, mesmo hoje, por volta de 40% dos imóveis da cidade são desocupados - e justamente os das zonas nobres, por conta da característica sui generis da cidade. Se, de repente, por qualquer razão a sua ocupação se concretize - os proprietários resolvam ocupá-los ou locá-los anualmente -, teremos sérios impasses urbanísticos, sociais e sanitários. As temporadas nos dizem muito quanto a isso, embora seja um momento fugaz - coisa de dez a trinta dias, quando muito.

Então temos que preparar a cidade para esta fase futura - que virá, com toda a certeza, pois o mero crescimento vegetativo é inevitável, não tem como inibir ou parar. Nosso limite atual é de quase 3 mil habitantes por quilômetro quadrado (considerada estimativa do IBGE para 2019 de 142 mil habitantes).


Temos licenciados aqui 96 mil veículos, dos quais 52 mil automóveis, 16 mil utilitários em geral, 15 mil motos. Coloquem-se aí mais 61 mil veículos de Camboriú, dos quais 28,5 mil automóveis, 14 mil motos, seis mil utilitários em geral. Acrescente-se 311 ônibus (264 em Balneário e 47 em Camboriú. Lá vamos um potencial de 157 mil veículos girando por aqui todos os dias, passando e repassando, grande parte deles, por nossos túneis, indo e vindo todos os dias entre Camboriú e Balneário. Não há traçado que aguente. Daqui a pouco trava tudo.


Aumentar esses volumes é inevitável, então a cidade precisa estar preparada lá na frente.

É urgente, por exemplo, dar sequência à construção de passagens elevadas nas marginais Leste e Oeste sobre os túneis e o alargamento desses, com a finalidade de dar fluxo ao intenso movimento de veículos que, não demora, se tornará insuportável.


Finalmente, a integração definitiva do transporte coletivo entre as cidades de Itajaí, Balneário Camboriú, Camboriú (principalmente) e Itapema. Com tarifa única e serviços de transbordo em estações distribuídas em pontos estratégicos do percurso, com linhas alimentadoras a elas destinadas.


A questão atual é que os debates e providências são, em muitos aspectos, episódicos e a reboque dos acontecimentos. Só se dá atenção depois que ocorrem.


Assim, vimos acontecer as demoras e as insensibilidades, durante muito tempo, quanto ao Canal Marambaia, quanto à implantação de esgoto e abastecimento de água nas Praias Agrestes, quanto às ocupações urbanas, quanto à descaracterização urbanística (caso emblemático: Barra Sul) com mudança de gabaritos e permissões construtivas, a necessária LAO (Licença Ambiental de Operação) da nossa ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) e que demorou 37 anos para ser finalmente emitida.


Poderíamos esticar referenciais pelos tempos adiante. Há muito a dizer e a fazer. Vamos adiante.

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