• Aderbal Machado

Cruzeiros suspensos e carnaval possível: temos muitas variantes de irresponsabilidades em jogo


Após recomendação da Anvisa, as companhias de cruzeiros decidiram suspender temporariamente as operações no Brasil até o dia 21 de janeiro. Em nota, a Associação Brasileira de Navios de Cruzeiros cita "incertezas na interpretação e aplicação de protocolos previamente aprovados" para justificar a decisão. No fim de semana, um navio teve o embarque cancelado no Porto de Santos após a detecção de quase oitenta casos positivos de Covid-19. Outros dois cruzeiros em operação no país tiveram surtos da doença e houve relatos de aglomerações mesmo após a detecção dos casos. (Veja)


Enquanto isso...


O aumento de casos de Covid-19 provocados pela ômicron em diversos países acendeu um alerta para o Carnaval no Brasil e algumas capitais já cancelaram a festa, como é o caso de Belo Horizonte, Fortaleza e Salvador (neste caso também por causa das enchentes no Estado). Em São Paulo, a prefeitura ainda mantém sob análise a possibilidade de realização dos desfiles das escolas de samba e blocos, mas ao menos 64 apresentações de rua já foram suspensas. No Rio de Janeiro, os ensaios técnicos das agremiações foram adiados para evitar aglomerações. (Veja)


No primeiro caso, o dos navios, já criticam a suspensão por interromper um ciclo de empregos temporários e atingir negativamente a atividade de muita gente do setor receptivo. Buenas, aí voltamos ao "fique em casa" lá de trás. Que continua valendo para muitos. O fato é que uns que o pregam é porque não necessitam. Quando o fenômeno os atinge, reclamam. Farinha pouca, meu pirão primeiro.


No segundo caso, vamos convir ser quase criminosa a insistência de promover carnaval oficialmente. As aglomerações surgirão ao natural, espontâneas, por obra da folia em todos os lugares. Não pode é ser com o patrocínio e estímulo do poder público. Ou teremos que anular todas as pregações moralistas aplicadas todo o tempo, sob a chuva e adjetivações como "negacionismo" e outros.


Como parece ser sanha prosseguir prevendo tragédias com novas cepas e transmutações do vírus da Covid, o poder público precisa e deve dar o exemplo. Ou perde a moral, de que já é profundamente carente.

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