• Aderbal Machado

Comentários e fatos de domingo (II)


Os domingos são sempre surpreendentes e contraditórios: a gente pode e quer dormir mais, mas não consegue. Isso de adotar um ritmo de trabalho contínuo e aleatório tem suas vantagens e suas desvantagens. Primeiro, a gente para a hora que bem entender. Segundo, é obrigado a prosseguir quando um assunto queima no histórico profissional ou dá uma coceira insustentável de contar um "causo" ou comentar um momento.


Em qualquer situação, é seguir adiante. Quando der um cansaço ou um enfaro, para-se e fim.


Pois a semana teve lances iguais e outros inusitados.


Viu-se, por exemplo, a manipulação descarada de imagens de aglomerações políticas na Bahia. Pior que a manipulação foi a tentativa de justificar, dando ares de "bug" técnico na captação. A desfaçatez é ilimitada. O que mais irrita nem é o fato em si, mas a sensação de estarem convictos de acreditarmos.


Em Balneário Camboriú, a Guarda Municipal dando duro em cima da bandidagem, em operações fortes - esporádicas e, segundo dizem, permanentes - no sentido de estrangular os meios da criminalidade. Torcendo para isso, realmente, ficar por aí, como medida operativa corriqueira. A cidade merece. Porque a bandidagem não para e não vai parar.


Enquanto isso, lidamos, em SC, com um universo maluco de nove postulantes ao governo do Estado. Não é mole, não. A meu ver, dois têm chances de um segundo turno: Jorginho Melo e o atual governador. O primeiro pelo apoio - a ser materializado ainda, de viva voz por Jair Bolsonaro - do presidente e o segundo pelo exercício natural do poder, com as mil benesses distribuídas a rodo nos municípios, a ponto de "sensibilizar" os apoios de MDB e PP, com declarações e movimentações explícitas a seu favor, independente, até, de lideranças internas contrárias. Estão tratorando. É um jogo de interesses diretos? É. Porém naturais. Uns querem, outro tem o que dar.


Mas há sombras: muitas dessas canetadas são baseadas em futurologia (cheques pré-datados): só poderão ser concretizadas num mandato futuro. E em chegando lá o atual governador, podem ser negadas e fim. Se ele já saiu de sua linha política para se associar ou aliar a quem combateu e a quem derrotou (e vice versa), poderá sair novamente. Depois de eleito, já era. O que se lamenta nesse episódio é a fragilidade dos programas partidárias e o esmagamento das lealdades internas. Pisotearam à vontade. Desmoralizaram de vez.


Em todo caso, em agindo assim, ficará nas mãos da maioria da Assembleia - que, restam poucas dúvidas, estará nas mãos dos mesmos partidos que hoje se misturam ao governo.









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