• Aderbal Machado

Comentários e fatos de domingo (I)


Madrugada ainda e o sono se foi. Abandonou o dono.

Algumas horas de concentração no computador, alguns comentários, algumas postagens e o cansaço reativou-se. Volta à cama. Sono rápido e reparador de mais duas horas.

Agora sim. Vamos às falas.

Ainda repercute, na Internet, a visita do presidente.

Condenam a presença política num evento religioso. Esquecem, de propósito, o detalhe: o presidente veio a convite da organização. Não foi "nariz de folha". Ou seja: não veio de intruso, de enxerido, de metido.

Os julgamentos circulam entre alguns absurdos, algumas observações até pertinentes e/ou aceitáveis. No mais, porém, descambam para o enxovalhamento puro e simples. E por dúvidas desmentidas pelas imagens: a presença de público. Quantas pessoas? Dez mil? Quinhentas, como alguns ousaram? Vinte e cinco mil, como calculou a PM e a própria prefeitura repercutiu? Saberemos jamais do exato, mas talvez possamos digressar: não foi tão pouco quanto supuseram alguns (os adversários e críticos), nem muito quanto ecoaram outros (os apoiadores e simpatizantes). Mas tinha bastante gente. Alguém arriscou afirmar ter sido um "fracasso" de público. Se comparar a qualquer outro ato envolvendo a presença de um político em ato público aberto, um sucesso. Nenhum outro, no Brasil atual, no poder ou fora dele, é capaz de reunir tanta gente. E não apenas uma vez, mas por onde anda, no país inteiro. Ponto. Se querem discordar, estarão esmurrando a realidade mostrada pela própria imprensa. Se não a convencional, mas a virtual. Insofismavelmente.

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A violência preocupa a cada dia. Em Criciúma, numa rixa entre colegas estudantes de uma escola de nível médio, uma jovem esfaqueou a outra. Dentro da escola. Lamentável por todos os prismas. Um ditado a ser considerado: a violência, ou a sua intenção, nasce dentro de casa. Ou seja: na educação dos pais.

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Chega a informação, via colunista gaúcho Políbio Braga, do encerramento de atividades da revista Crusoé, de O Antagonista. Faltou grana e demitiram todo mundo. Ali estavam os chamados "lacradores" contra a direita ou de JMB. Fez um alvoroço inútil. Morreu nas tatuíras.

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Em Oxford, na Inglaterra, numa palestra, o ministro Barroso, do STF, ao falar sobre o "voto impresso", decorou-o com o "voto impresso de apuração pública", o que é uma inverdade. Não esperava, naquele cenário austero, ser desmentido na lata por brasileiros presentes, aos berros: "É mentira". Uma sensação de torpor. Mas lá não há como punir, pois é um brasileiro com residência oficializada e/ou cidadania britânica. Fosse no Brasil, estaria preso. Deve ter sido duro aguentar a pancada.

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A decisão da Suprema Corte americana sobre o aborto - vedando-o nacionalmente, mas permitindo a decisão autônoma a cada estado -, causou reação também de Barroso: "É um retrocesso". Retrocesso comparado a quê? Qual tipo de avanço? Permitir o aborto é um avanço? Novamente: em relação a quê?

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De certa forma chocante o assalto em shopping de luxo na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Dezesseis homens armados, com tiros e morte de um vigilante. O Brasil é isto: a bandidagem não tem limites, incluindo os vários casos já acontecidos de assaltos a cidades inteiras, como em Criciúma. Resultado da anemia de nossas leis penais, com mais atenuantes do que agravantes para qualquer tipo de crime.

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Sobre atuação do judiciário, dois comentários do Twitter:

1) Se você tem um processo há anos no STJ esperando uma decisão, morra de inveja: o recurso contra mim foi julgado pelo Min. Humberto Martins em APENAS 2 DIAS, determinando a retomada do processo ilegal contra a Lava Jato no TCU, como tínhamos antecipado. É muito prestígio. (Deltan Dallagnol)


2) Então sinta inveja de Daniel Silveira, Oswaldo Eustaquio e tantos outros que foram presos sem cometerem crimes estabelecidos em leis e até então, apesar da Graça Presidencial concedida continua sendo perseguido (Ana Sílvia Botti de Cerqueira)

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A notícia, sem maiores explicações: o próprio TSE anunciou (segundo publicou a Gazeta do Povo) terem sido detectadas 200 falhas na totalização das urnas eletrônicas. Nos deixou com uma coleção de pulgas atrás das orelhas. E atrás das minhas orelhas cabem mais pulgas: são enormes.



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