• Aderbal Machado

Carta Aberta aos Vereadores: as ilusões sobre o Centro de Eventos

Por enquanto, apenas uma visão romântica o início de atividades do Centro de Eventos de Balneário Camboriú, uma saga infindável e com léguas de esperas à frente. Esperas, sabe-se, cujo resultado - digo-o desde quando era apenas uma cogitação abstrata, um fato teórico apenas -, será decepcionante. Já está sendo, mas vai piorar.

Tomem isso como uma conjectura pessoal, se quiserem. Ou como uma adivinhação. Pouco importa. Meu sexto sentido está se confirmando desde o início: construir o Centro de Eventos foi uma decisão política equivocada, com a criadora imaginação de ser uma solução para o turismo sazonal.

Se antes da pandemia já era improvável, agora, com a nova realidade mundial, piorou bastante. Repito: não vai funcionar. Nem sob gestão pública – o que liquidaria a iniciativa de vez, tal a incompetência dos poderes administrativos estatais, em qualquer nível -, nem sob gestão privada, eis que, neste caso, teria que haver uma projeção diferenciada. Porque o Estado, ao elaborar sua licitação, coloca lá cláusula querendo um mundo de grana, visando o retorno do investimento feito e ainda colocar uma grana por cima.

Isto, considerado o custo de manutenção mensal do ambiente do Centro de Eventos FECHADO, sem nenhum evento – algo em torno de R$ 400.000,00 mensais, segundo alguns -, inviabiliza qualquer interesse no nascedouro. Nenhuma empresa séria entrará nisso. A não ser que goste de rasgar dinheiro.

Lembrando aqui que a coisa foi tão mal feita desde o início que somente quando Leonel Pavan foi Secretário de Turismo, com as instalações já “inauguradas” uma ou duas vezes, constatou-se a mera inexistência de estudo de viabilidade econômica, fator primário nestes casos. Popularizando: construíram sem saber se daria certo e quais as perspectivas.

Então, nobres edis, talvez seja hora de parar de palavrear sobre um sonho impossível e buscar logo uma alternativa de uso daquilo lá (“daquilo lá” é bom e adequado, não é? Eu acho). E o façam antes que o governo do Estado, sentindo que vai tudo pro brejo (e esta hora vai chegar, como no caso do Centro de Eventos de Canasvieiras, muito menor), invente moda e mude a finalidade, como, aliás, o fez, décadas atrás, com o Parque da Santur, jogando fora, aí sim, uma alternativa excelente de lazer e diversão e um atrativo turístico ponderável. E quem sabe implantando algo que não nos interessa nem direta, nem indiretamente.

Ali poderia funcionar a rodoviária da cidade numa parte, na outra parte espaços para restaurantes típicos de nossas várias etnias (como antigamente), levar os artesãos para lá, um PIT ou qualquer outro atrativo possível. Alinhavem e estudem outras soluções. E rápido. O arrependimento nunca vem na hora possível de mudar as coisas. Sempre tarde.

No meu ombro não chorarão.

Finalmente: adoraria ser desmentido. Darei a mão à palmatória e me penitenciarei humildemente se nada disso acontecer e o Centro de Eventos virar (sonho de verão) aquilo que para ele preveem. Não terei pejo disso e até terei prazer em reconhecer o eventual erro. Creio ser de bom alvitre esperar sentado, mas em todo caso...


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